segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Casa.

Eu era uma coisinha de nada da primeira vez que fui ali e me achava a maior e mais madura pessoa do Universo. Não lembro muito da primeira vez, eu admito, mas lembro que todas as vezes eram mágicas. Eu corria pela casa com a caçula, trocava livros com a do meio, confissões com a mais velha, experiência com a mãe e cultura com o pai. De alguma maneira aquela era a minha segunda família, a minha segunda casa, pra onde eu fugia quando achava que nada nunca mais daria certo. Aquela casa era parte da base do meu alicerce.
Aos poucos a família foi e a casa ficou. Por maior que fosse a decepção de chegar lá e não ver a minha família, ao menos eu tinha cada canto daquela casa, do mato, das pedras, da colcha do tarzan pra me confortar.
Hoje foi a última vez que fui lá, a última noite de pizzas, a última foto no espelho, o último andar de carro pelo condomínio. Quando eu achar que tudo vai dar errado, não vou encontrar mais aquele telhado de casa de filme americano pra me acomodar, tampouco as palavras sábias do pai que sempre me fizeram acreditar num bom final, muito menos o colchão de baixo pra conversar dormindo. Eu sei que vou sobreviver sem a magia da cômoda-cama que me encantou por anos, entretanto, é assim que mais um parte dos meus sonhos são esmigalhados.
Eu vou sentir saudades Lu, e ai de vc se não vier sempre Fek.