segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Esta é parte da minha memória, do meu caminho. Parto. Parto ao meio. Parto daqui. Partir. Partir é parte. Parte é parir.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Penso que morrer é como descolar todas as fotografias da vida.

domingo, 23 de novembro de 2014

Pra rir daqui a 5 anos de novo

"Quando eu morrer, eu quero ser embalsamada, com faixas bem cheirosinhas. Vai que eu volto, quero tá cheirosa, porque linda e magra eu já vou estar, neah, vou ficar um tempão sem comer".






(Ou: como as idiotices que ela fala me fazem feliz).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

sinto
re-sinto
des-vivo
vivo
existo?

domingo, 9 de novembro de 2014

"você já amou um remédio? já amou o efeito de um remédio?"

sábado, 1 de novembro de 2014

considerações finais

a sintonia da despedida.
Você esfregou a minha alma até que ela voltasse a emitir luz, devolveu meu coração, me ajudou a voltar a sentir. E veja só o que eu diz, olhe bem pro que eu fiz.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Meu coração inteiro dói, tenho a sensação de sentir cada parte dele e das quatro câmaras que o ligam ao resto do meu corpo, bombeando meu sangue, bombeando minha dor. Esta dor se estende, sinto-a em cada célula, em cada poro. Esta dor me sufoca e eu já não sei como é respirar. Não me incomodo. Deixo que o ar pare de entrar o tempo máximo que consigo, na tentativa de que meu corpo entenda que não deve mais funcionar, que o Universo faça pra mim o trabalho sujo que não tenho coragem.
Minha vontade é fugir, sair correndo e nunca mais parar, encontrar um túnel em que o fim seja um abismo que me estraçalhe.Onde clica pra nunca ter existido?

quinta-feira, 30 de outubro de 2014



"Não vim te propor uma bela amizade, um sorvete no fim da tarde e nem um fim de história marcado por vaidade.

Vim pra te desejar alguma sorte, vim porque já voltei a ser forte e porque sei que memória não respeita pena de morte.

Vim te deixar um abraço, porque te querer bem é o melhor que eu faço e porque, afinal, já chega desse cansaço.

Vim te dizer para ficar em paz, para respeitarmos o que deixamos para trás e para propor, enfim, que a gente não se queira mal, apenas não se queira mais."
Eu não quero a apropriação da morte.
Eu gostaria de ter tido o direito de nunca ter existido.
"- não dá pra ter tudo.
- mas eu só queria ter você"

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cebola

Você sempre será os cachinhos sentado na janela fumando un cigarro me questionando o que eu achi que seria o mundo se o tempo não existisse. E eu sempre vou sentir sua falta.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Rivotril

Você roubou minha dor,
roubou meu medo,
roubou minhas certezas infundadas.
Você roubou minha angústia,
minha vontade de morte,
meu caminho delineado.
Você roubou minha solidão,
roubou a dureza do meu coração,
minha falta de confiança em mim.

Você me entregou meu caos
revirou minha bagunça, meu mundo, meu script
afundou meus traumas
me sorriu ao perceber a multidão que sou

Você me resignificou.
me apontou o caminho pra tudo que sou
ofereceu sua mão pra eu caminhar até lá
emprestou o teu abraço pra eu chorar por nem sempre ser quem eu gostaria.

Você me devolveu pra mim.

domingo, 26 de outubro de 2014

E meu coração aperta por que nessa serra do amor deveria caber nós três num carro gargalhando sem parar. Só cabe silêncio.

“aos poucos fui descobrindo que não-monogamia precisava significar fazer as pessoas se sentirem mais valiosas, e nunca menos. e que deveria estimular o auto-cuidado, e não cometer nenhum dos dois erros opostos a isso: agir de forma egoísta em relação às dependências emocionais que por ventura surgissem entre pessoas não-monogâmicas, ou agir como se essa dependência emocional não existisse, fosse desimportante, ou não fosse problema seu. se não-monogamia não podia significar ter uma obrigação com a outra pessoa, então automaticamente precisava significar que eu tenho uma responsabilidade de ajudá-la a cuidar-se, pra que jamais nossa relação se tornasse escravizante e dependente.

[...] se existe uma não-monogamia individualista, que pressupõe que minha liberdade afetiva, sexual ou romântica deve ser colocada à frente da nossa responsabilidade coletiva de construir novas formas de relação e de afeto, então no mesmo segundo eu me situarei numa então fundada ‘não-monogamia social’, oposta a esta primeira. não quero simplesmente poder me desvincular de mulheres (trans e cis) e pessoas trans que não se sentiram livres o suficiente para se relacionar comigo. quero que nossa relação seja parte de um esforço político para destruirmos conjuntamente nossas correntes.

[...] a questão é: queremos que relações livres sejam meramente relações que extrapolam para além das relações exclusivas entre pares, ou queremos que sejam relações onde questionamos os pilares da imposição, do sofrimento e da opressão relacionadas especificamente às formas como organizamos nossos relacionamentos?

[...] eu acho que eu tenho uma responsabilidade de ajudar a pessoa a construir essa relação, e que ela também pode me ajudar a construir a minha. que se existe algo de sororário e solidário a se explorar nas relações livres, é justamente este potencial de que as pessoas percebam que, não somente devemos nos relacionar, mas nos ajudar a desconstruir a monogamia. nos ajudar a construir autonomia sobre nós. nos ajudar a ter consciência de que somos, antes de mais nada, nós. e que antes de mais nada podemos ter uma afetividade, um amor e uma sexualidade que nos é própria. e tudo aquilo que o patriarcado roubou da gente, é nosso.

[...] eu acredito que estar numa relação livre não é só exigir, mas é fornecer autonomia. eu acredito que estar numa relação livre é ajudar a outra pessoa a não precisar de você.

[...] eu acredito que não-monogamia significa liberdade, mas uma liberdade real. material. plenamente física: ela acontece quando não sofremos quando estaríamos sofrendo, quando não nos deprimimos quando teríamos nos deprimido, quando sentimos compersão onde sentiríamos ciúme, quando sentimos saudade onde sentiríamos angústia.

Talvez a própria noção de “mulher ciumenta” seja problemática, talvez a noção de “ciúme” é que esteja despolitizada. Talvez se trate de parar de chamar insegurança de ciúmes, haja vista que tal uso protege a supremacia masculina, mas certamente se trata de tomar uma postura sororária em relação às mulheres que experienciam insegurança, e não de tratar o ciúmes como uma simples espinha a ser espremida pra fora de nossos corpos. É preciso abraçar estas pessoas e discutir com elas as raízes daquilo que nos está prendendo. Do contrário, estamos somente isolando quem está mais preso do que nós, e nos beneficiando dessa higienização".

A escolha mais difícil é não sumir, é enfrentar a própria verdade de pé, é não se perder de si. A escolha mais difícil é não falar, é regurgitar até elaborar a própria dor, é o entendimento de que toda dor foi escolhida e permitida. A escolha mais difícil é dar adeus.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

As palavras, elas estão presas nas pontas dos meus dedos e não conseguem mais sair.
Eu fico aqui cheia de nós ansiando por expulsá-las de mim.
"Amanda, maturidade não é sofrer desse jeito. Maturidade é ter coragem e parar de protelar pra decidir alguma coisa, especialmente alguma coisa tão óbvia. E, uma vez decidido, não ficar remoendo tudo que poderia ter sido"

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

"Levar uma mulher para a cama é levar para cama uma multidão, e é preciso estar preparado para lidar com tanta gente, e com tantos medos, e com tantos amores, e com tantas dores, e com tantas paixões. Porque depois de tirar nossa roupa é preciso que nos tirem as camadas psicológicas de detritos impostos pelo mundo machista, misógino e cruel que fica do lado de fora e que acaba penetrando. Ao contrário de nossos colegas do sexo masculino, não nos desatrelamos dele tão facilmente. A pessoa que consegue eliminar essas camadas tem em sua presença o ser humano mais rico e complexo e intrigante que já passou por aqui: uma mulher em sua totalidade. E a totalidade de uma mulher é coisa demais – e talvez por isso relacionamentos lésbicos sejam sempre tão intensos e dramáticos; porque envolvem essas características potencializadas e a menos que você esteja dentro de um deles jamais terá noção de como um casal de mulheres tem a colossal capacidade de complicar todas as coisas, mas também a colossal capacidade de se entregar e de cuidar e de se envolver." (Milly Lacombe)

Rivotril

Acordei na sua cama sem você do meu lado. Eu sabia que você não estaria, lembrava do cheiro do seu perfume sendo espirrado em você mesma pela manhã e lembrava também de você me abraçando e pedindo que eu me cuidasse, mas isso não fez com que, nas seis vezes que meu despertador gritou, eu não tateasse os lençóis do seu lado de dormir te procurando. Levantei e sua presença ainda estava em mim, como se me faltasse alguma coisa que eu não soubesse bem o que é: entenda, não falo de falta no que eu sou, mas no espaço que reservo pro tão presente nós.
Pedalei pelas ruas com um aperto no peito, intrigada. Como pode alguém ser tão parte do que eu sou sem ter a menor intenção disso? Como pode alguém me ter tanto exatamente por entender que eu não sei ser de ninguém?
Sim, ainda me surpreende a forma como você virou minha vida do avesso desde que eu te disse pela primeira vez "boa tarde", ainda me surpreende cada vez que olho pro lado e te vejo pensando e gesticulando sozinha organizando algum pensamento e eu rio de você sabendo que estou exatamente aonde quero, ainda me surpreende de tal forma que desaprendi até a escrever, "fiquei burra", não consigo organizar tudo isso que sinto num texto, por que é muito, por que é de verdade, embora a verdade não exista. "Se a verdade não existe, a mentira também não", lembro de você dizer jogada no sofá com um texto na mão enquanto deito sobre você. Mas nenhum desses conceitos realmente importa, agora tudo que eu quero é que você volte pra cama e me abrace enquanto o despertador toca.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Tomara.

Tomara que no céu tenha uma estrada cheia de árvores e placa engraçadas escrito errado pra você rir enquanto pedala. Tomara que tenha música boa. Tomara que tenha uma cachoeira com um pico bem alto pra você pular  (enquanto eu fico sem respirar por alguns segundos esperando você imergir daquela mundo de água e voltar sorrindo pro raso). Tomara que tenha salgadinho de presunto e queijo e pipoca, muita pipoca e chocolate. Tomara que no céu tenha uma rede ao lado de uma estante de livros bem grande pra você passar horas lendo. E que tenha uma bola pra você tropeçar enquanto finge que sabe jogar. Tomara que no céu o Vasco seja campeão. Tomara que exista céu. Tomara que você ainda exista. Tomara.
Eu fecho os olhos e lembro do cheiro. Da casa, da roupa, do sexo, do seu cabelo. Sem o teu cheiro seria muito mais fácil te esquecer.
"coragem pra ir embora" continua ecoando dentro da minha mente, onde você ainda diz "você precisa aprender a deixar as coisas passarem por você e irem embora, para de tentar segurar ou se segurar"
Nota sobre a narradora, ou: como sentir ciúme, além de me afastar completamente, me faz (re)lembrar que não se deve acreditar em ninguém. Amor é nunca relaxar.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

E é exatamente nessa hora que eu tenho vontade de introduzir todas as muitas cartelas de remédios em cada poro do meu corpo, de não precisar mais acordar. É nessa hora que a minha coragem de acabar aumenta mais um pouco, cada dia mais. Eu nunca sei quais dessas linhas é, de fato, o meu fim.

Mais uma noite (tentando dormir) com você

 A gente costuma se enganar que vai dormir cedo. Não sei dizer se por inocência ou terceiras intenções (claro que eu sei, mas finge), nossos corpos não conseguem ficar parados quando se encontram na mesma cama. Eis que em algum momento você me deseja bons sonhos, encaixa sua cabeça do lado do meu pescoço e muda a respiração, em 4 minutos você já tá mais que dormindo. Eu fico te fazendo cafuné mesmo sabendo que você não tá sentindo, até pegar no sono.
Nem meia hora depois que eu consigo dormir você levanta reclamando de calor e liga o ventilador. Volta pra cama e me abraça. Dormimos de novo. Quando sinto mais uma vez você se mexendo do meu lado procurando sua camisa, dizendo que vai ficar resfriada com esse vento todo em você, passo a mão debaixo do travesseiro e te dou a camisa procurada e você me olha surpresa me perguntando como eu sabia onde estava - sendo que é óbvio, já que eu que a tirei.
Te abraço de conchinha e sinto meu corpo arrepiando inteiro ao encostar em cada parte do seu , parece que agora vamos dormir. Até que começa a amanhecer, você começa a tossir e resmungar, reúno todas as minhas forças pra conseguir levantar meu corpo da cama e aviso que vou pegar seu própolis, você toma meio contrariada dizendo que eu não precisava levantar, eu finjo que não ouço, você resmunga mais um pouco e dorme.
Em pouco tempo te sinto se mexendo novamente ao meu lado tomando cuidado pra não me acordar "o que houve?" pergunto ao te ver levantar "tá abafado aqui, neah?" você justifica abrindo a janela e se perguntando o porquê de ter dormido com ela fechada, sendo que você sabe que a resposta é que teve medo que os pernilongos te atacassem durante à noite e você tivesse que levantar e correr pela casa matando um por um com as mãos (como fez antes de se deitar). Você volta pra cama, deita sobre o meu peito e eu sei que me restam poucas horas de sono.
Daqui a pouco seu celular vai tocar e você não vai ouvir o despertador, ainda desconfio que alguma vez você o tenha ouvido de fato, vou levantar pra desligá-lo e beijar seu rosto e pescoço te avisando que tá na hora de levantar. Você me abraça quase me esmagando pedindo pro mundo só mais cinco minutinhos, que sempre se estendem por quase 1 hora. Assim chegaremos desesperadamente atrasadas em todos os nossos compromissos, como é de praxe desde que você tropeçou no meu caminho e virou minha vida de cabeça pra baixo. Não me incomodo, tudo que eu penso enquanto fazemos cabaninha debaixo do seu lençol é que eu passei a vida inteira procurando paz e encontrei-a aqui, em meio ao caos que somos juntas.
De repente você decide que está morrendo de fome e levanta num pulo procurando qualquer comida que possa haver na geladeira pra beliscar enquanto prepara um café. Então, enquanto procura o filtro de papel que sempre se perde na gaveta que cabe tudo, você me pergunta se dormi bem: eu não poderia ter dormido melhor.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

(Pablo Neruda)

"Quando não te doeu acostumar-te a mim,
à minha alma solitária e selvagem, a meu nome que todo
afugentam.
Tantas vezes vimos arder o luzeiro nos beijando os olhos
e sobre nossas cabeças destorcer-se os crepúsculos
em girantes abanos.
Sobre ti minhas palavras choveram carícias.
Desde faz tempo amei teu corpo de nácar ensolarado.
Chego a te crer a dona do universo.
Te trarei das montanhas flores alegres, copihues,
avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos.

Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejas."




(Pablo Neruda)
As duas maiores armas que conquistei na vida foram: silêncio e dissimulação. De modo que eu ainda não entendo com joguei as duas no chão diante da maior batalha.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

De repente eu percebi que a melhor parte de cada parte da minha história estava escondida atrás de cada adeus. "De repente, o presente".
O poder está exatamente nas mãos de quem você o coloca. O poder está.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A gente nunca foi bom em acreditar em imortalidade, pelo contrário, sempre brincamos de último dia da vida e sempre fizemos valer cada dia da nossa história. Não sei quando foi que perdi isso, sem que eu notasse. Quando troquei meus sorrisos por reclamações. Quando sua presença foi trocada por esse soco de vazio no estômago.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Te ver feliz ainda me faz feliz. Mesmo de longe. Mesmo com saudade. Mesmo querendo participar e sabendo que não me encaixo mais ao seu sorriso. Te ver feliz ainda deixa meus olhos brilhando e me satisfaz como se a felicidade fosse minha. Te ver feliz ainda me faz.
A gente sempre vai encontrar um jeito pra sobreviver do fim. Quando nos permitimos, um jeito muito melhor.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

fim 2

Eu sempre acho que tá controlei, mas acabo percebendo que não: o vazio que você deixou é o sentimento que mais me ocupa. Olho pras nossas fotos pregadas na porta do meu quarto e pros nossos sorrisos, sempre foi tão fácil sorrir com você por perto. Hoje, tudo que eu mais queria era te abraçar, deitar no seu colo e receber cafuné enquanto você me conta uma história de um acampamento em que você quase morreu e te ameaçar dizendo que se você morrer eu te mato, como eu ficaria sem você?
A pergunta fica ecoando na minha mente: como eu ficaria sem você? Como eu fiquei, como eu fico, como eu existo? Ainda não encontrei vida desde a sua morte. Não encontrei uma forma de continuar esse caminho que parece, mais do que nunca, não valer à pena. Queria que você estivesse aqui pra me falar mais uma vez que a vida é uma folha de papel com um ponto rabiscado e que eu to, de novo, me focando no ponto e esquecendo de tudo que ainda pode ser. Queria que você tivesse aqui pra eu chorar a sua falta no seu ombro enquanto a gente olha o mar se perguntando quando as ondas vão desfazer nossas dores junto com elas.
Acordo todos os dias planejando o mundo, tentando superar. Todos os dias a imagem do seu fim acaba comigo. Não sei mais fazer as batidas do meu coração ficarem normais, desaprendi a respirar em paz, meu corpo não sabe mais bombear o sangue nele pra que essa sensação de desmaio contínuo passe. Eu sinto como se estivesse constantemente drogada, numa bad trip, no meio de um pesadelo.
Agora eu desejo que exista outro lado, que você esteja bem e que ainda queira cuidar de mim quando eu constatar que to mesmo sozinha no mundo, como todo mundo está. Espero que nesse outro lado tenha uma cama pra mim, uma panela bem grande pra você me preparar pipoca e brigadeiro, muitas linhas enceradas pra gente fazer pulseira e você encher meu cabelo de dread de linha, montanhas pra gente subir e cachoeiras pra gente se banhar. Eu só espero que, em algum lugar, você ainda exista.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

terça feira

Resmungar é infantil, é prazeroso, mas demonstra falta de vontade de sair da infantilidade. As coisas chatas também precisam ser feitas por que viver não é só prazeroso, em nada. Não importa o que você escolhe na vida, mesmo a melhor coisa tem lados ruins e burocráticos. A grande sacada é conseguir driblar isto, é conseguir enxergar o que os pontos negativos te acrescentarão positivamente, como fazer da melhor forma o pior. Entender que a vida não precisa ser baseada em trabalho ou família, existem mil possibilidades, e, além disso, a vida deveria ser baseada em afeto e não importa aonde o seu afeto está. Trabalho e família pode ser mais uma das várias escolhas diárias e que podem sim mudar drasticamente o tempo inteiro ou a qualquer momento. As únicas pessoas que permanecem na sua vida são aquelas que são desinstitucionalizadas, aquelas que são livres pra serem o que querem do seu lado, que não foi criada uma legislação, uma obrigação, uma cobrança, aquelas que podem te falar a verdade, que podem ir pra qualquer lugar do mundo e permanecem do seu lado, porque presença, apesar de muito importante, é só mais um status, mais uma das exigências que a sociedade impõe pro amor (além claro, do dinheiro como demonstração da quantidade de afeto). Entretanto, as coisas precisam ser ditas, quem você quer que permaneça ao seu lado precisa saber o que te magoa e é claro que dizer isso dói, é claro que se mostrar te deixa vulnerável, mas é um treinamento constante e necessário, é perceber que falar não dá o poder na mão de ninguém porque não existe poder, aliás, dizem que até existe, mas se você não o reconhece, ele não é nada na sua vida.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A linha (muito) tênue entre a opção saudável de não encher o outro de segurança e não fazer com que ele se feche por que precisa se proteger. Cultivar(extrema) insegurança é acordar que a sinceridade seja revogada. E que as coisas não voltem mais pro seu lugar.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O fato de não perdoar as coisas como elas se deram, não faz com que elas deixem de ser como são. Ter vontade de gritar não faz com que ouçam a sua voz. Achar que o amor pode dar certo não quer dizer nada além de achismo.
Não sei bem quando tomei a decisão de confiar em você, de onde tirei que isso seria seguro e sensato. Um dos problemas com o amor é que quando estamos tomados por ele, não percebemos o óbvio. Sei que uma das grandes coisas que você me ensinou foi a não confiar em ninguém (E também que todos somos grandes hipócritas) e talvez isso venha salvando minha vida - ou afundando-a ainda mais.
Entretanto, quando resolvi confiar em você, não me referia somente aos meus segredos, histórias e medos, mas o meu caminhar. Foi uma confiança que me fez esperar demais quando, na verdade, nunca devemos esperar nada,dizem que é disso que se trata o amor, afinal. Confiar em alguém é depositar no outro o que não deveria ter sido tirado de si.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

- O que você quer, afinal?
- Nada.
- Mas você tem que querer alguma coisa, todo mundo quer alguma coisa.
- Nada.
- Você não consegue mesmo pensar em qualquer coisa que você queira fazer ou ter nesse momento?
-Não.
- Mas assim você não consegue fazer sua vida andar nunca.
-
- Qual a sensação de ficar estagnada no mesmo lugar por tanto tempo sem ter nenhum tipo de foco ou objetivo?
-
- Como você se sente?
- Nada.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Quando não se sabe o que acontece dentro de si mesmo. Auto-sufocamento.
Quando não se faz ideia de onde quer chegar. Estremecer.
Quando a única coisa que se sente é o não sentir o próprio corpo que caminha dormente pelo mundo. Cair.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Você sabe que eu sempre tive medo de não ser ninguém. (Não que eu ache que algum dia eu tenha sido alguém, mas quando a gente sorria junto, eu sentia algo próximo disso, eu não pensava em alguém ou ninguém, nem nada além de viver aquilo). E esse talvez seja o maior medo que me assolava, de tantos que você conhecia tão bem e esfregava na minha cara todo dia até que eu superasse.
Quase não fico mais em casa, quando fico, é deitada no chão do meu quarto olhando pro teto e ignorando todo o barulho das pessoas lá fora, do celular chamando, da música que coloquei pra ouvir. Estas são as horas em que me deparo com os medos que resolveram transbordar, voltar, como se você fosse um escudo pra eles e de repente nada mais me protege deles. Às vezes eu tenho convicção de que eles vão me engolir. A grande questão é que eu não sei mais o que fazer com eles ou com o meu corpo no mundo. Eu não sei mais o que eu não quero (você sabe que eu nunca nessa vida soube o que eu quis, mas sempre soube enumerar tudo que eu não queria). O real motivo de eu passar tão pouco tempo em casa é que eu fico pra lá e pra cá procurando gente e lugares e qualquer coisa que tape esse buraco em mim, aquele do vazio que eu achei que tivesse curado com a sua ajuda. E eu noto que junto com todos os medos, veio o pavor de ficar sozinha. Lembro de você sorrindo e me fazendo cafuné me perguntando quanto tempo mais de autismo eu precisaria aquele dia - enquanto todo mundo criticava minha necessidade de fingir que ninguém existia e sentar num canto da sala com uma caneta, um papel e meus pensamentos - que você já estava com saudade. Eu fazia uma careta pra você parar de falar comigo, tava atrapalhando meu raciocínio e você sabia que eu queria dizer que em dez minutos eu estaria deitada em cima do seu caderno te pedindo carinho e te impedindo de copiar a matéria do quadro - que você só fingia que copiava, nunca precisou dessas convenções, eu nunca conheci alguém com uma memória tão boa e uma inteligência tão excêntrica quanto à sua. Você nunca reclamava, implicava por 58 motivos diferentes da vez anterior e gastava duas horas seguidas alisando meu braço, cabelo e costas. Você sabia que eu precisava sentir o porquê de ter um corpo nesse horrendo mundo tendo tantos outros mundos e tantos outros corpos pra habitar, tendo tantas outras vidas que eu gostava de inventar que teria estando no corpo de outra pessoa. E aí eu me sentia tão acolhida e tão feliz por você estar tão perto. Eu me sentia tão acolhida e tão feliz com a sua existência. Ninguém entendia nada. Até os nossos professores ficavam tentando explicar, mensurar e enquadrar o nosso amor. E a gente ria da cara de todo mundo, pois sabíamos que ninguém jamais conseguiria. E sabíamos que éramos pra sempre enquanto todo mundo que nos criticava se desfazia sob nossos olhos. Aquela época eu sabia de muita coisa. Hoje eu não sei de mais nada, de nada. E daí vem mais um medo. Eu sei que saber é uma necessidade besta dessa sociedade nojenta e hipócrita, mas eu me rendo e preciso. Eu preciso ter certeza de qualquer coisa, qualquer uma e não tenho nenhuma. Antes eu tinha de que a gente se teria mesmo que a se perdesse. E eu posso te dizer, embora você não esteja ouvindo, que eu queria muito te dizer que quando você chegava na minha casa sem avisar e ficava me fazendo cafuné enquanto eu resmungava de alguma coisa, foram poucos dos únicos momentos em que eu não me sentia sozinha. Eu queria ter te contado que eu só permitia os meus momentos de autismo e isolamento porque quando eu quisesse companhia eu teria você. Eu só me permitia o adeus porque eu tinha pra onde voltar.
Eu prometi que viveria por você. Mas também prometi que cuidaria de você e jamais deixaria nada te acontecer. E também prometi que cuidaria de mim e faria o que me faz bem e não o que esperam que eu faça. Eu prometi que pararia com essa onda de deixar de existir. E eu me sinto a pior pessoa do mundo, eu nunca fui boa em cumprir promessas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Quando ela sorri, eu sinto como se pudesse voar. Não vôo. Tudo que eu escolho é continuar parada ao lado daquele sorriso. Num tempo sem tempo.
Eu pedi tanto pra ir no seu lugar. Eu pedi tanto pro acaso, destino, ets, que tirasse a minha vida mil vezes, mas deixasse a sua e a da Raissa em paz. Tanto, tanto, tanto. TANTO.

fim

Um grito oco, silencioso, uma tentativa falha de fazer o tempo voltar. De fazer as coisas voltarem a ter sentido. De me fazer caber num abraço qualquer. Eu fiquei órfã. Eu fiquei sozinha. Lembra que a gente prometeu não se abandonar nunca? Eu sei, eu sei que não foi você quem escolheu, mas isso não muda o meu egoísmo. Isso não altera a minha dor. Isso não faz com que eu aprenda o que fazer com os meus dias, com a minha vida. Isso não me aponta nenhum caminho. Eu ando sem parar e quando paro é onde o meu corpo não aguenta mais o peso do choro. Cadê a alegria do meu sorriso? Sua morte comeu. E eu não tenho nem voz pra gritar.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"

Segunda Nuvem a esquerda!



Moro na rua dos cata ventos. 
Que faz esquina com a rua dos alienados. 
No bairro das utopias. 
Embaixo daquela nuvem com formato estranho. 
Do lado de um gnomo insano. 
Lá tem uma padaria. Padaria dos distraídos. 
Lá passa um vento q tem sempre o mesmo cheiro. 
E as casas tem escadas de caracol. 
Tem sempre pelo ar um suspiro avulso. 
Alguns sorrisos sempre despencam do céu. 
Foi por lá q nasceu a maioria dos sonhadores. 
Por lá passa o neutro do bem e do mal. 
Por lá as pessoas ainda dão gargalhadas sem motivos. 
Por lá ainda se vive. 
Por lá os caducos nos ensinam 
Claro q os mais caducos ensinam mais. 
Agente sente primero por lá, depois pensa! 
Agente ainda vive um dia por dia! 
Agente primeiro vive, depois morre! 
Primeiro ama, só depois sofre, 
e talvez nem sofra, pq o amor por lá eh uma constante! 
Por lá tá tudo certo. 

Como chegar? 

zzZZzzzzZZZzz"

Bateju

Dizer adeus pra você fi a coisa mais difícil que eu já fiz na vida. Eu sempre achei sem noção gente que fica falando com quem já morreu pela internet através de redes sociais, que fica postando foto e lamentando quando a pessoa nem tá ouvindo ou lendo mais, lembro de sempre te dizer isso e a gente achar engraçado, mas entender que cada um tem um jeito de sofrer e que às vezes a gente precisa falar pro nada o que a gente não teve coragem de dizer olhando no olho. Até hoje.
Eu fico pensando no tanto de coisa que eu queria te dizer sem conseguir formular. Ao mesmo tempo sabendo que você sempre soube tudo sobre mim, eu sempre te disse que você é a pessoa no mundo que mais podia ferrar minha vida e era verdade: você estava presente em 90% dos momentos mais importantes da minha vida desde que a gente tinha 11 anos, não sabia o que era beijo, amor, responsabilidade, dor. Mas, exatamente por saber, você nunca usou nada contra mim, taí uma das milhares de coisas que você me ensinou: jamais usar a fraqueza do outro com ele (a não ser que a fraqueza seja ter medo de ter o nariz roubado), jamais encontrar justificativa pra entregar alguém. Ontem, no seu velório, a cada vez que eu abraçava alguém eu lembrava de uma história sua muito boa "esse é o tio que ele contava das noites de acampamento, com quem aprendeu tudo de camping que me passou", "essa é a menina por quem ele se apaixonou de verdade a primeira vez", "eu já fui pra um cachoeira com esse garoto uma vez junto com ele", "aquele filme que eu vi, foi ela que indicou pra gente", "eu nunca mais vou conseguir ouvir essa música sem ele", "essa menina também aprendeu a fazer pulseirinha com ele", "eu chorei 5 dias abraçadas com você quando esse cara me deu um pé na bunda". Entre tantas coisas que não cabem escrever ou não consigo formular. Ontem, eu e nossos amigos sentamos numa mesa do lado de fora e ficamos contanto todas as histórias suas que lembrávamos e a gente riu muito, porque você é um idiota sem tamanho que só fazia a gente rir o tempo inteiro. E meu coração doeu demais - e ainda dói - porque eu olhei pro lado procurando seu olhar pra rir comigo e não achei, porque eu fiquei procurando algum abraço que me livrasse de tanta tristeza como o seu sempre fez e não encontrei em lugar nenhum. Por que ninguém conseguiu me abraçar e falar "calma, baleia, vai passar e eu to aqui", porque ninguém sabia que você tinha ficado do meu lado quando ninguém tinha ficado, que eu costumava te dizer que você era o que tinha ficado do que não ficou e que eu te amo tanto por ter ficado, eu te amo tanto por você ter me deixado ser sua amiga, eu te amo tanto por você ter dividido sua vida comigo, eu te amo tanto por você ter ido como herói, como alguém que todo mundo amava, mesmo sem entender muito, porque você também nunca entendeu muito as minhas escolhas e também me amava. Eu te amo tanto e na minha cabeça, toda vez que eu te via, inacreditavelmente sem vida dento daquele caixão, eu tinha que me segurar pra não te abraçar e te agradecer por tudo, queria te dizer pra levantar logo dali que o susto já tinha sido o suficiente e eu que eu nunca mais vou implicar com sua barba estranha ou com sua demora pra revisar cachinho por cachinho antes de sair, nunca mais vou zangar com você, por favor, Bateju, levanta, acorda, diz pra mim que eu to dentro de um pesadelo, vem aqui, começa comigo de novo, com a gente com 11 anos correndo pelo pátio da escola e você me derrubando no chão me fazendo ralar o joelho, vem ser pré-adolescente rebelde, vem cantar los hermanos comigo, vem me ensinar a montar uma barraca e me levar pra subir todas as pedras da cidades. Vem ver o pôr do sol no mar e sempre molhar o tênis, vem tomar caixote e dividir uma prancha com mais 8 pessoas que também não sabem surfar, vem me dar bronca porque eu falo palavrão demais,vem dizer que vai ficar tudo bem.
Obrigada. Te dizer adeus foi a coisa mais difícil que já fiz na vida. E agora preciso aproveitar tudo por mim e pela pessoa que me ensinou a amar cada sensação que  natureza pode proporcionar, viver por dois.

domingo, 10 de agosto de 2014

Rivotril - você aqui

Quando você não está aqui eu posso, finalmente, voltar pra minha rotina de seriados, blogs e filmes que está desatualizada desde nem sei quando. Posso terminar aquele livro que você me emprestou e eu nunca tenho tempo de terminar de ler. E marcar mil programas com mil pessoas diferentes sem precisar olhar se já é hora de correr pra você. Quando você não está aqui eu tenho tempo pra dormir, arrumar meu quarto, cozinhar pros meus pais. Saio pra jantar e beber com meus familiares, invento praias, viagens, piqueniques. Quando você não está aqui eu consigo cuidar de mim ao invés de dedicar todo o meu cuidado e preocupação à você, na sua mania de não se alimentar, no casaco que você vive esquecendo, na ruguinha que se aloja na sua testa dando uma pontada no meu coração por saber que você não tá feliz. Quando você não está eu faço o que eu quero sem conciliações, vou aos mesmos lugares chatos e confortáveis sem querer fazer mil coisas diferentes pra experimentar com você. Quando você não está aqui eu junto esse monte de papel que chamam de dinheiro pra um dia fazer uma viagem legal ao invés de querer viajar pra tudo que é canto por perto quase abrindo minha falência.
Mas...qual a graça do meu sorriso quando você não está aqui?
Agora que você está aqui eu vivencio o não precisar dormir tanto, viver com a cara enfurnada numa tela de computador, ter tanto tempo livre, decidir e ser sozinha. Não preciso ter medo de ser eu mesma, tampouco de querer dividir tudo que sou com alguém. Agora que você está aqui eu mudei minha concepção de relacionamento, de futuro, de certeza. Agora eu tenho espaço pra ser o melhor de mim, tenho tempo pra viver os melhores tempos que o mundo pode oferecer. Agora que você está aqui a minha vida é linda, a minha tristeza é passageira, a minha desilusão é ilusão. Agora que você está aqui eu finalmente fecho os olhos e sigo tranquila, porque mesmo quando você vai embora, ainda está aqui.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014



"Era para ser por uma noite apenas. Esse foi o combinado. Passaríamos uma noite juntas e depois cada uma seguiria sua vida. Seria como um experimento para você ver o que sentiria indo para a cama com outra mulher.


Mas um segundo encontro aconteceu, e você então avisou que não conseguiria passar a noite inteira dormindo numa mesma cama. Explicou que estava acostumada a dormir sozinha, que era uma mulher muito grande – coisa que eu já sabia –, que se mexia muito e que, por isso, com todos os namorados e amantes antes de mim havia feito um acordo: acabada a farra, um dos dois deveria sair.

Expliquei que tinha uma enorme capacidade de compartimentar a mim mesma e que facilmente me adaptaria a um pedacinho de cama, qualquer que fosse ele, e argumentei também que ao contrário dos homens com quem você já havia se deitado – uma turma que eu agora odiava – eu era uma pessoa pequena e que poderia acabar com esse seu zigue-zague nortuno. Você foi irredutível, e explicou que não suportaria uma noite maldormida: passaria para o sofá assim que a brincadeira acabasse.

Mas durante pelo menos seis meses não houve tempo para que você saísse da cama porque quando a gente se dava conta já era dia, a brincadeira não havia terminado e ninguém tinha dormido. Só que quando finalmente voltamos a dormir – porque não há organismo que consiga sobreviver a tantas noites em claro, ou emprego que se perpetue nessas condições de abobamento e sono – você ainda assim não saiu da cama.

Você então começou a me falar sobre como tinha dificuldade para se entregar, confiar e aceitar comprometimentos sérios. Tudo ia bem entre a gente, mas não havia da sua parte nenhuma intenção de exclusividade. Você disse que não via o mundo desse jeito careta, nunca tinha sonhado em entrar na igreja vestida de branco para ser entregue por seu pai a um outro homem e, mesmo agora, apaixonada por uma mulher, não via sentido em se fechar em um relacionamento. Havia, você argumentava, muitas outras pessoas com as quais talvez ainda gostaria de se deitar. Tinha apenas 27 anos, você dizia, e não conseguia começar a pensar na possibilidade de terminar comigo suas experimentações. E, afinal, não seria essa uma das grandes vantagens de um relacionamento homossexual?, você ponderava. Justamente a capacidade de quebrar convenções e tradições em nome de liberdade e honestidade e de uma verdade tão cara e rara?

Eu, fingindo ser uma mulher madura e bem resolvida, concordava com tudo. Era isso mesmo, eu dizia: seríamos um casal aberto à vida e ao amor e a novas paixões. Era exatamente isso o que eu buscava e desejava e estava muito feliz por ter encontrado alguém que via a vida e o mundo com a mesma lente revolucionária que eu. Abaixo a caretice, eu bradava. Que grande alegria e sorte, eu dizia, poder viver um relacionamento moderno e transgressor ao seu lado.

Eu, uma mentirosa

Mas a verdade é que não era absolutamente isso o que eu queria. O que eu queria mesmo era baixar um decreto-lei que eliminasse da terra seus ex-amantes, castrasse candidatos futuros – homens ou mulheres – e obrigasse você a passar o resto de seus dias ao meu lado. Era exatamente isso o que o animal que me habitava gostaria de fazer. Acho que se você pudesse ter alguma noção da caretice que me habitava e da falta de lucidez que me inundava teria começado a correr e nunca mais parado.

Mas por sorte consegui me manter sã e continuar a mentir sobre minha maturidade; a diferença de dez anos entre a gente exigia que fosse assim. Era, entretanto, apenas uma questão de tempo até que você sacasse a pessoa inadequada e incapaz com quem estava se deitando. Quando lembrava disso, conseguia até ficar feliz imaginando que muito em breve nosso relacionamento estaria terminado, invadido por outros amantes e desejos.

Pensar assim me deixava de certa forma aliviada; conseguir perpetuar a imagem de mulher forte e bem-sucedida em sua mente não era uma ideia ruim. Porque, se passássemos mais tempo juntas, você inevitavelmente descobriria que eu era uma pessoa que não saía de casa, que detestava aglomerações (exceto aquelas que envolviam o Corinthians), abominava calor, samba, praia, megashows tipo Lollapalooza e dormir tarde. Uma quase quarentona que não sabia fazer pagamento de contas pela internet, lembrar de senhas ou aplicar dinheiro e que, por isso, gastava tudo o que havia, até porque como jornalista essa não era uma tarefa para muitos dias. Alguém que sentia profundo tédio quando escutava as palavras cartório, reconhecimento de firma, autenticação, junta comercial, e que, por isso, fingia que essas coisas não existiam. Um ser humano cujas especialidades se resumiam a fazer baliza, adivinhar a hora e lavar a louça do jantar. Uma esquisita que se sentia feliz entocada em casa durante um fim de semana de sol lendo Eça ou Machado ou Proust ou Doistoiévski, e que preferia dias frios e chuvosos a quentes e de sol. Também não demoraria para que você percebesse que eu era aquela que, numa festa, ficava involuntariamente isolada, aquela que não sabia dançar ou cantar; alguém, portanto, com a ginga social de uma criança de 4 anos. Então, antes que tudo isso viesse à tona, a chegada do novo amante salvaria minha imagem – embora fosse, ao mesmo tempo, me atirar às trevas.

Mas os meses viraram anos e os anos viraram uma década e você nunca mais saiu da minha cama. Desde aquela primeira noite nada mudou na nossa paixão, a não ser a doentia voracidade sexual que nos transformava em vampiros – o que foi bom para que pudéssemos manter empregos e algumas amizades. Aos poucos, minha máscara foi caindo e você não pareceu se importar. Nunca tratamos de exclusividade, mas esse outro amante tampouco surgiu. Construímos algumas casas, arrecadamos duas cachorras, fomos morar fora do país. Pessoas importantes partiram, outras chegaram, e, diante de tanta dor e de tanto prazer, nosso relacionamento ganhou muitos músculos. Até hoje a gente diz que se ama, e faz amor sem hora marcada, e faz nheco antes de se levantar, e se protege do mundo dançando na sala.

Estava pensando em tudo isso na noite passada, quando uma viagem de trabalho afastou você de mim por alguns dias. Que sentido tem a casa sem você? Ou a vida sem você? Ou as flores sem você? Ou eu sem você? E então um troço doido me passou pela cabeça. É que talvez seja hora de mudar algumas coisas, de cruzar uma outra fronteira, de dançar um pouco mais na cara do preconceito. Por isso eu queria perguntar: você quer casar comigo? ' (Milly Lacombe)

Rivotril

Desde que me tornei agnóstica, parei de acreditar em magia - tenho uma amiga que adora a palavra "mágica", e usa para me designar quando tá muito feliz comigo me dizendo que mereço o termo com melhor significado de todo seu vocabulário e este é o único momento em que eu acreditava, até então, que a magia é infindável e real.- Entretanto, tudo mudou na primeira vez que visitei a casa de paredes amarelas. Ela fica dentro de um labirinto de ilusão de ótica, todas as portas, janelas e paredes são iguais e você tem que ter concentração pra entrar no lugar certo, tem também que ter certeza do que está fazendo, pois o caminho é só de ida.
A casa amarela é pequena(mente) aconchegante e a maior parte do tempo passado dentro dela é sobre uma cama, de onde você pode facilmente ficar observando um singelo mural de ideais pregados na parede de um armário (se você ficar olhando muito tempo pr'aquelas imagens e dizeres pode ser contaminado por eles, o que também te exige certeza do que está fazendo). Pra entrar na casa, é preciso deixar, mesmo sem perceber, toda a armadura e medos do lado de fora, como se ao atravessar o portal, fossem dissipados todos os artifícios usados diariamente pra parecer ser melhor do que realmente se é junto com as roupas do corpo. Lá dentro você não precisa de nada além de tudo que você é. É o lugar mais confortável do mundo, um recanto pra alma. Cada detalhe, cada cheiro, cada objeto guarda uma indicação pra felicidade, guardam um pouco da magia de finalmente ser, de sentir.
E no meu vocabulário, a palavra mais bonita que existe é "sentir".
Com a casa de paredes amarelas eu descobri que pra magia existir é preciso fé, entretanto ela é palpável.
E agora dizer adeus pr'aquela casa é também dizer adeus pra uma parte de mim onde só habita felicidade, é descolar do meu mural de ideais uns sonhos tão lindos que nem parecia possível imaginar. É preciso ter uma força que eu não tenho. Só com mágica eu conseguiria acabar com tudo isso. E toda mágica que eu conheço está presa entre aquelas paredes.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ainda não encontrei incompetência maior do que a de não ser o que a pessoa que você ama esperava.
Visualizar suas redes sociais todos os dias buscando saber de você e dar com a cara na porta. Sinto saudade de quando a porta era física e não virtual. De você me fazendo acreditar que eu poderia mudar o mundo inteiro sorrindo. Da sua voz no meu ouvido dizendo que tudo vai ficar bem - e eu acreditava, apenas porque o timbre da sua voz fazia escudo na frente do meu pavor da vida. Eu espero que longe de mim, você siga de forma tão tranquila quanto a sua voz.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Eu poderia chorar ao dizer de todos os lugares que faltam você. Ao invés disso, sorrio por todos os cantos que transbordam eu.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

"- Meu filho, você é homossexual?"
- Olha mãe, eu não sou nem uma coisa, nem outra, porque nada é definitivo na vida. Você pode dizer que eu seja bissexual, porque não fiz minha escolha ainda. Um dia posso gostar de um homem como, no outro, gostar de uma mulher. Então, não fique preocupada com isso."
(Cazuza)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Não me espere antes da hora. Nem depois. E nem que eu saiba lidar, porque eu não sei, nunca soube. Não espere que eu diga o óbvio ou que minhas palavras tenham coerência com o que sinto. Não ache que vou ficar, tampouco que eu vou embora. Não pretenda me ouvir dizer que eu tenho tentado encontrar forma do relógio voltar a fim de que nunca nos percamos, mesmo que todo o meu corpo grite por isso. Me espere depois. Me espere antes da hora. Sei que preciso, mas não consigo ir embora (ainda).
http://semamorsoaloucura.blogspot.com.br/2006/08/para-uma-avenca-partindo.html

terça-feira, 29 de julho de 2014

(A menina que roubava livros)


"Algumas pessoas passam por sua vida, outros a acompanham até que não lhes seja mais possível, outro estão mais perto do que parecem.
(...)
(“Uma especialista em ser deixada pra trás.”) - UMA DEFINIÇÃO NÃO ENCONTRADA NO DICIONÁRIO - Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças.
(...)
Como a maioria dos sofrimentos, esse começou com uma aparente felicidade.
(...)
Não resmungou nem gemeu nem bateu com os pés. Simplesmente engoliu a decepção e optou por um riso calculado - um presente dela para si mesma."
(...)
Mas, afinal, será que é covardia reconhecer o medo?
(...)
Este é um pequeno fato. Você vai morrer.
(...)






















"Não me façam feliz. Por favor, não me saciem nem me deixem pensar que alguma coisa boa pode sair disso. Olhem para meus machucados. Olhem para este
arranhão. Estão vendo o arranhão dentro de mim? Estão vendo ele crescer bem diante dos seus olhos, me corroendo? Não quero ter esperança de mais nada"




sexta-feira, 25 de julho de 2014

"A Psicologia representa, positivamente, uma cruz para mim. Seja como for, jogar boliche e colher cogumelos são atividades muito mais saudáveis. Afinal, eu queria apenas explicar a defesa, mas, quando dei por mim, estava tentando explicar algo que pertence ao próprio núcleo da natureza. Tive de elaborar os problemas da qualidade, do sono, da memória — em suma, a psicologia inteira. Agora não quero mais ouvir falar nisso." Carta de Sigmund Freud remetida a Willhelm Fliess em agosto de 1895.

sábado, 19 de julho de 2014

Pensa numa mesa de almoço de vó: toalha quadriculada azul e branca, um tanto de panelas, potinhos, pratos, talheres, copos, vasilhas, jarras, garrafas...tudo cheio. Ela está posta na beira de um barranco, em baixo de uma árvore, sob a grama e flores bem pequenas e coloridas. Rodando em volta da mesa e admirando-a, eu piso em falso, meus pés afundam na terra fofa do precipício e começo a cair.
(E aí percebo que a história que quero contar não é sobre a mesa, tampouco o barranco. É sobre a queda). Imediatamente, começo a me segurar em tudo que está sobre a mesa, tudo é fraco demais pra aguentar meu peso, até mesmo aquela panela de barro pesada que está fechada e não sei o que tem dentro, tento até as cadeiras em volta da mesa, nada. Surge a ideia de me segurar pela toalha, minha última esperança. Nada.  Além de não me segurar, tudo que há nela vai caindo em cima de mim, quanto mais eu me seguro, mais coisas caem em mim. E eu não desisto de segurar em tudo que não me dá apoio, insisto em carregar comigo tudo isto que não faz diferença, só pesa. Quando me toco disso, solto. Abro os braços e vou caindo junto com caldos quentes, vidros quebrando, facas "tirando fino" de mim. E eu não me importo porque alguma coisa me diz que vou cair em uma nuvem quentinha e macia. E se eu cair no concreto e me esborrachar, tudo bem também, eu já caí.
E é exatamente assim que é estar apaixonada por você.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ir embora também é um estado de espírito. Eu posso me manter no mesmo lugar, só você não percebe que estou indo.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A falta é tanta que a vontade é de vomitar meu coração.
Há amores que acabam, mas são pra sempre.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Há algo mais belo que poder contradizer-se?
- Sabe uma coisa que eu nunca fiz? Ler um livro com alguém!

Fico pensando como cabe em uma pessoa só a vontade dos desejos ocultos que tenho pra mim mesma.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Eu ainda sinto o cheiro quando fecho os olhos. O gosto, o arrepio e paz daquele cheiro. E, quando eu te lembro, eu só imploro pra perder a memória.
O problema é daqui praí.
Daqui de dentro em direção à você, digo.
Uma ligação com uma possibilidade de não ser o que você esperar, me tira do eixo, me dá falta de ar, taquicardia.
E eu me pego segurando o choro porque eu te amo demais, mas nunca vou ser só o que você espera, pois há um punhado de coisas que eu também espero que eu seja, de mim, pra mim.
E parece tudo tão incompatível até que você esteja por peto.
Meu coração agora dói e se questiona, mas sei que quando abrir a porta do seu quarto e sorrir pra mim, nada no mundo mais vai importar, nem o que eu sinto.
E, talvez, esse seja o nosso maior problema.


06-03-14

Ontem

"Em frente ou enfrente".
No fim, a vida é sempre escolher ficar ou ir, sair ou entrar, esquecer ou permanecer.
Meus dias são sempre sobre você.
A sua falta ou os excessos que me atormentam e enlouquecem.
Sobre aprender a lidar, me reencontrar sem te perder.
E não importa o quando eu nade, sempre volto pro nosso oceano, meu lugar preferido e cômodo.
Esquecendo que acomodar é ruim.
Como sempre eu volto e cedo aos teus encantos.
E volto pro teu canto criando espaço na sua confusão pra desorganizar a minha bagunça.
Dessa vez reconhecendo o caos, as dores, dificuldades e contradições e ainda assim,
querendo querer.



22-04-14
Eu falei sério quando disse que você poderia entrar e bagunçar o que quisesse em mim, desde que não reparasse a bagunça que eu já estava. E também não brinquei avisando que mais dois minutos ali e não te deixaria mais cruzar a linha do meu mundo pra fora. Foi de verdade o número de vezes que te olhei te achando a pessoa mais linda que já vi, embora já tenha achado isso tantas outras vezes de tantas outras pessoas. E eu não brincaria dizendo que estava junto com você pra qualquer coisa se eu não estivesse. Eu quis sim entrar nisto e me dei conta do passo a passo, de cada nível avançado, do amor acontecendo. E eu falei ainda mais sério quando disse que não, eu não estou nem um pouco disposta a ir embora agora.
- Eu queria ser mais que o tapa buraco do espaço entre sua obrigação e seu sonho.
- Não se preocupe, eu estou te gravando no tempo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Amo essa foto e cada lembrança desse dia e de todos ao seu lado, mesmo os não tão bons. Sinto falta do seu abraço todos os dias e brigo com a vida pela raridade imposta por ela. Sim, eu vou te amar mesmo quando a gente parar de respirar.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Cebola

Sento em frente ao mar e acendo um cigarro buscando pelo tempo aonde anda a pessoa que sempre debochava "quando o seu filho tiver 16 anos vou ensiná-lo o que são drogas" "não vai não" "vou e não tem nada que você possa fazer pra me convencer" "se você fizer isso eu nunca vou te perdoar" "se você não me perdoar, além das drogas, eu conto pra ele o que a mãe dele fazia nas madrugadas quentes na varanda do quarto dela" "quando meu filho fizer 16 anos, vou mandá-lo pra um colégio interno na China".
Desde que você foi embora, eu nunca mais quis ter filhos.
É sempre assim: você some por meses e eu fico aqui sentindo cada parte do meu corpo dilacerar tentando te mostrar o tamanho da sua importância na minha vida e o quanto te quero por perto o tempo todo.
Quando canso desse jogo idiota e me recomponho, você me manda uma foto com um texto que te escrevi no inverno passado perguntando se eu ainda vou te amar quando amanhecer. Sabe o mais patético? Não importa o quão longe eu tenha chegado sem você, eu sempre volto pra segurar a sua mão.
"Sim, eu vou te amar mesmo quando a gente deixar de respirar"".
Até que ponto desistir é sinal de covardia? Até que ponto parar de insistir em uma vida que claramente não dá certo é o mesmo que fraqueza? Poupar sofrimento deveria ser visto com bons olhos. É mesmo necessário buscar motivos pra viver quando é nítido que viver não vale à pena?


















- Só por um momento sentir o amor que dizem sentir por mim como uma pessoa normal.

domingo, 29 de junho de 2014

"Nada nunca dá certo de vez. Eu sei. Tudo termina sempre acabando. Só o fim permanece. O fim eterno de todas as coisas. Então, me dissolvo antes do fim. Eu me dissolvo".

sábado, 28 de junho de 2014

Redenção

É só uma foto, de quase 3 anos atrás, mas ainda arrepia todos os meus pelos, até os dos pés. Ainda consigo sentir a textura dos teus dedos passeando pelas minhas costas e do nosso cheiro misturado, que espalhamos por todos os quartos que encontramos nessa ponte aérea durante esse tempo. O tempo continua passando e eu continuo aqui, inacreditavelmente, acreditando piamente naquilo que passo a vida inteira fugindo: o tal do amor.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Fui feliz

Já reli nossa última conversa mil vezes. E não tem um dia que não checo suas redes sociais ou a última vez que ficou online no whatsapp. Nada. Tudo que temos é o silêncio que nunca coube em nós. Compreensível, já dissemos todas as palavras que existem no vocabulário pra tentar encontrar um ponto de entendimento, um elo que nos mantivesse juntos, uma tábua de salvação pra correnteza que levou o nós embora. Dias como este, tenho convicção de que não aguentarei a vida inteira pela frente longe dos seus olhos, aqueles em que eu bastava cruzar pra sentir toda a segurança que precisava pra continuar caminhando nesta linha torta que chamo de vida. E reler cada palavra do que você disse decretando nosso fim não me faz encontrar nada que não um golpe no estômago por nunca ter havido reconhecimento do tamanho esforço que fazia pra corresponder ao seu ideal, pra ser o que você queria que eu fosse, pro meu mundo caber dentro do seu. O problema com o silêncio, hoje eu vejo, é que ele pode ser interpretado da maneira que eu bem entender. E eu sempre interpreto da que me causa mais dor. E isso é tão burro porque pode ser que as dores que habitam nossas faltas de palavras pudessem se ancorar uma na outra e nos manter salvos. Entretanto eu quero a ruína e não a salvação. Entretanto, eu continuo buscando te conhecer e reconhecer, encontrar algo que me diga quando foi que chegou o dia da nossa última conversa e eu nem vi.

o mundo precisa de histórias felizes

“A maioria de nós, na maior parte do tempo, está contente em cegamente patinar sobre o gelo fino, tomando a vida como certa. Escolhemos padrões ou estratégias de comportamento para tentar controlar nosso mundo – em parte, para nos ajudar a evitar o tremor de ansiedade em nosso âmago. Todos nós temos estratégias às quais temos familiaridade, como se esforçar mais ou procurar diversões. Usamo-las para patinar pela vida, esperando evitar ter que sentir medos que não queremos enfrentar – como os medos da perda de controle, do fracasso, de não ter valor, de ficar sozinho, e daí por diante. Raramente questionamos nossas estratégias; geralmente apenas as seguimos cegamente. Mas ao segui-las nós nos limitamos e definimos nossas fronteiras. e nossa vida se estreita para um senso de vaga insatisfação.



Temos que partir da premissa que realmente não nos conhecemos muito bem. Conhecer a nós mesmos envolve esclarecer todas as maneiras pelas quais somos controlados pela nossa mente auto-centrada. Isso significa que temos que descobrir nossas identidades e crenças mais básicas, observar nossas estratégias típicas de comportamento e talvez, mais importante de tudo, nos familiarizar com nossos medos.”


"Amanda, o futuro não existe. Nunca existiu e nunca vai existir. Só o que existe é este momento que estamos vivendo agora, onde você tá lendo essa mensagem. Só isso que existe. É isso que você quer viver agora? Se é isso, viva".

"Você é a minha terapia".


terça-feira, 24 de junho de 2014

Cebola

Todos os dias passo em frente à sua janela. Não apenas por ser meu caminho, afinal passo pela casa de muita gente conhecida todos os dias sem me dar conta. Passo e olho pra dentro do seu quarto, na esperança de encontrar seus olhos milimetricamente redondos me procurando na rua à sua frente, como outrora. Passo esperando que você esteja sentado nela fumando um cigarro lembrando das tantas noites que vimos virar dia e dos dias que vimos virar noite, perdendo completamente a noção de tempo, enfurnados no meu quarto ou deitados na rede da minha varanda, o melhor lugar da cidade,como você dizia. Passo esperando que na volta ao menos a rede ainda esteja lá, não está. Nem ela e nem nenhuma lembrança do nosso cenário: nenhum colchonete no chão, nenhuma camisinha ou caixa de fósforo ou tampa com pó de café a ponto de ser pisoteado quando entrávamos afoitos sem enxergar motivo pra tanta roupa. Às vezes, tenho a sensação de que tudo só aconteceu dentro da minha cabeça, que não passou de um sonho dormido por 4 meses.

domingo, 22 de junho de 2014

Fui feliz

Ao contrário do que você acha, eu não me deixei ir embora por falta de amor. Meu problema, quanto à você, nunca foi este. Pelo contrário, pequei por amar demais, por querer demais, por sonhar demais. Pequei por achar que sua vida ao lado da minha me bastaria, mais que isso, seria a única coisa a me bastar. Pequei porque cada vez que te via sorrir meu coração parava e eu tinha plena certeza de que o mundo girava apenas quando você sorria. Acontece que o mundo continuou girando da primeira vez que você me mandou embora. E também da segunda. Na terceira eu nem questionei mais, continuei vivendo sabendo do tanto de lugares, pessoas e sensações que me esperavam. A gente aprendeu a viver um sem ou outro e tão bem que é até de se admirar que a menos de um ano atrás éramos uma extensão um do outro, que meu cérebro só funcionava pra fazer o que você aprovava, que a gente só ia até o limite um do outro. Você me ensinou a não ver privações no pensar, alimentou meu espírito questionador, nunca vi alguém tão sábio, que saiba conversar e discutir sobre tantos assuntos, a maioria que eu nem imaginava existir e por isso, apesar de todos os pesares que construímos juntos e desembocaram no nosso fim, sinto orgulho de ter sido sua, mesmo não acreditando em posse no amor. Sinto orgulho de ter deixado você invadir minha história, me ajudar a me reescrever, por ter divido um ano tão lindo com você, por ter sonhado esses sonhos que só nossas mentes lunáticas poderiam produzir, por ter acreditado em pra sempre e reacreditado no amor. Eu me deixei ir embora, hoje posso dizer, pra continuar sentindo paz e saudade a cada vez que olho uma foto nossa, lado a lado, gargalhando sem conseguir controlar aquela felicidade que nos inundava dos pés à cabeça. Eu fui tão feliz ao seu lado que jamais poderei mensurar.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

"A gente não tem que tentar gostar de ninguém, tampouco tentar fazer alguém gostar da gente. Entenda, as melhores e mais saudáveis relações da vida são aquelas que não exigem esforço." RASTRELLI, A. 2012

terça-feira, 17 de junho de 2014

"Para de esperar pelo fim e se prepara pra ele".
A casa inteira me comprime, reprime, consome. Sinto-me expulsa em cada cômodo. Por menor que eu fique, não caibo em lugar algum. Tento me adequar, logo desisto. Não deveria haver sacrifício onde supostamente há amor. Não deveria haver guerra declarada ou ameaças de inferno depois de tudo que eu fiz. Eu não deveria ter feito nada esperando algo em troca, se digo amar. Tá tudo errado. Do tapete de entrada à caixa de cartas antigas guardadas em cima do armário. Preciso de algo que me ancore no mundo. Entretanto, todos os dias e cada vez mais, só penso em desistir dele. E de mim.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

derrota

A gente tem medo da dor. Ele quis sentí-la uma última vez, como manifesto contra toda covardia que teve em sua vida. Acho que todo mundo precisa desde grito. Ver alguém gritando assim  é enlouquecedor. Atam-me os pés e as mãos e onde deveria morar toda minha capacidade e obrigação de saber dizer a coisa certa, mora o medo, o remorso. Eu era bem nova quando decidi viver cada dia como se o mundo fosse acabar amanhã: passei a falar do meu amor toda vez que o sinto, a fazer o que tenho vontade e não o que esperam, a ter mais paciência e dar 24h de atenção pros meus amigos e familiares. De modo que  culpa é muito maior quando listo as coisas que eu poderia ter feito, que eu poderia ter dito. Eu estava percebendo o que estava acontecendo, eu vi cada passo dado em direção ao fim. No fundo, eu invejei a coragem. Mesmo tendo sido dominada pelo vazio do vão das coisas que aquele grito queria suprir, resolver, estremecer, e não, nada. Hoje, tirei minha roupa de derrotada do armário, já estava com cheiro de guardada, tem tempo que a aposentei. Não sei se há data pra que ela deixe de ser meu uniforme.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Melhor

Ela é o único lugar do mundo onde me sinto à vontade. O único lugar onde eu sinto que cheguei ao meu destino, à minha essência. Sei que é muito peso, olho em seus olhos azuis e vejo o grito silenciado de quem tá sobrecarregada e não sabe falar nunca, até isso somos comuns. De uns tempos pra cá venho tentando me virar sozinha, venho tentando não fazê-la de porto seguro, sei de todas as dificuldades e dores que ser porto seguro e alguém traz. Por ela, pego toda a dor do mundo e coloco no meu peito, faço virar crise no meu mundo - aprendi a gostar do caos - pra não ver sua bochecha enrijecer de desespero. Faz 9 ano, 21 ou algumas vidas, vai saber. O que sei é que devo grande parte do que sou aos seus conselhos, abraços e broncas. Devo também aos seus erros e aos meus. Ela me ensinou, mais que perdoar, a pedir perdão. A reconhecer os erros, como também os acertos. Ela me ensinou que posso ser tudo o que eu quiser, que tá tudo bem, "ninguém tem o direito de te julgar". Não permito então que me julguem, que me limitem, que me diminuam. E é tudo culpa daquele sorriso grande de neném. Tudo culpa desse tal de amor que só sinto ser de verdade, quando direcionado à mim, quando vem dela. Não tem sangue, não tem obrigação, não tem sofrer. É por ela que eu continuo encarnada nesse corpo. O único lugar do mundo onde me sinto à vontade.

quinta-feira, 29 de maio de 2014



Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo convivendo com tantas perguntas que o tempo não respondeu e com a ausência de qualquer garantia de que ele ainda responda. É me sentir confortável, mesmo entendendo que as respostas que tenho mudarão, como tantas já mudaram, e que também mudarei, como eu tanto já mudei.

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo sentindo que cada vez mais eu sei cada vez menos, e não saber, ao contrário do que já acreditei, pode nos fazer vislumbrar uma liberdade incrível, às vezes. Tem saber que é nítida sabedoria, que fortalece, que faz clarear, mas tem saber que é apenas controle disfarçado, artifício do medo, armadilha da dona autosabotagem.

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo percebendo que a minha vida não tem lá tanta semelhança com o enredo que eu imaginei para ela na maior parte da jornada e que nem por isso é menos preciosa. É me sentir confortável, cabendo sem esforço e com a fluidez que eu souber, na única história que me é disponível, que é feita de capítulos inéditos, e que não está concluída: esta que me foi ofertada e que, da forma que sei e não sei, eu vivo.

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo acessando, vez ou outra, lugares da memória que eu adoraria inacessíveis, tristezas que não cicatrizaram, padrões que eu ainda não soube transformar, embora continue me empenhando para conseguir. É me sentir confortável, mesmo sentindo uma saudade imensa de uma pátria, aparentemente utópica, onde os seus cidadãos tenham ternura, respeito e bondade, suficientes, para ajudar uns aos outros na tecelagem da paz e no desenho do caminho.

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. Estarmos na nossa própria pele não é fácil e essa percepção é capaz de nos humanizar o bastante para nos aproximarmos com o coração do entendimento do quanto também não seria fácil estarmos na pele de nenhum outro. Por maiores que sejam as diferenças, as singularidades de enredo, as particularidades de cenário, não nos enganemos: toda gente é bem parecida com toda gente. Toda gente é promessa de florescimento, anseia por amor, costuma ter um medo absurdo e se atrapalhar à beça nessa vida sem ensaio.

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável o suficiente para cada vez mais encarar os desconfortos todos fugindo cada vez menos, sabendo que algumas coisas simplesmente são como são, e que eu não tenho nenhuma espécie de controle com relação ao que acontecerá comigo no tempo do parágrafo seguinte, da frase seguinte, da palavra seguinte. É me sentir confortável o suficiente para caminhar pela vida com um olhar que não envelhece, por mais que eu envelheça, e um coração corajoso, carregado de brotos de amor




escrito Ana Jácomo, declamado por Gabrielle Cardo, sentido ilimitadamente por mim.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Café com leite

"Não importa o que eu faça, você acha lindo. E quando eu to perto de você eu não preciso me preocupar em sofrer, por que você sempre diz "você é foda! para de sofrer por isso! você é muto melhor!" e eu acredito. E isso é um vício porque eu me sinto muito bem perto de você e eu quero ficar perto de você o tempo todo e por isso eu acabo te exigindo demais. Eu demorei muito tempo pra te entender, e confesso que até hoje eu não entendo muita coisa. Hoje eu sei que você tem outras prioridades. Que nas férias a gente sempre se une demais porque não tem nada te distraindo. Mas eu ainda não entendi tudo. E  que falta pra te entender é o quanto te cobro. Eu sei que aquele dia (mais de um ano atrás, uma briga homérica) você não tinha como vir me ver, eu sei que você tava num aniversário, que era perigoso o caminho, eu sei, mas eu tava muito mal e eu precisava muito me sentir do jeito que só você sabe me fazer sentir. E aquele dia que eu te liguei chorando e você tava apresentando trabalho final eu também te entendi, mas eu também precisava muito de você. E eu sei que eu fui egoísta, mas eu fiquei muito mal. Eu gosto muito de como eu me sinto perto de você e eu precisava te falar que você e as meninas me atravessaram, olha quem eu sou hoje. No primeiro período você acha que eu estaria aqui no meio de uma festa te dizendo tudo isso? Vocês me atravessaram. Eu cheguei aqui graças à você também. E pela primeira vez na vida eu tenho muito orgulho do que eu me tornei".

universidade federal fluminense, quase 5 anos depois, numa terça aparentemente qualquer.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Não faz nem 7 dias que te conheci e já pensei em te esquecer pelo menos 700 vezes. Meu mecanismo de defesa sempre me prepara pro fim, à mim e à todos a minha volta. Agradeço, mas logo enlouqueço, por não entender sentimentalmente o que a razão joga na minha cara todos os dias: todas as minhas relações nascem com prazo de validade (e eu gosto). Gosto das confissões etílicas, do beijo que encaixa, do jeito leve, da voz, do cheiro, seu rosto parece um quadro e eu quase penso isso alto toda vez que nossos olhos se cruzam. Acordo de mim, pisco forte os olhos e me concentro no limite das coisas, no até onde eu posso ir, mesmo sem enxergar a linha de chegada. Pisco forte os olhos e volto pro meu palco caótico, amado palco caótico, que era um tanto mais simples antes da sua chegada. Amado palco caótico, penso em te dar as mãos e misturar teu caos no meu, lembro do prazo das coisas e de todas as coisas que gritam "não" enquanto meu coração resolveu dar palpite e acelerar ao te ver. Não faz nem 7 dias, entenda.

domingo, 25 de maio de 2014

fiquei pensando pra caralho todos esses dias e enfim: eu sei que mudei muito, to nesse processo de descobrimento e ainda quero destruir muita coisa em mim e reconstruir melhor, mais libertária, atitudes de acordo com a minha nova maneira de pensar. pode ser que eu quebre a cara, aliás, torço pra que quebre, pra que eu aprenda mt ainda e veja que tava pensando errado e que há outras mil formas de pensar que e ainda nem sonho em descobrir. eu só queria que nesse processo você não saísse do meu lado, nem deixasse de acreditar em mim. te amo demais e te quero do meu lado, não importa quem eu seja.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

1347 dias atrás postei uma foto numa rede social que me fazia chorar de quase morrer toda vez que a olhava. Eu achei que aquilo nunca mais fosse passar. Pio: achei que nunca mais me sentiria feito naquela foto, naquele dia, naquela vida. Confesso que até hoje quando vejo aquela foto, meu peito aperta. Mas ao contrário da contração por dor, substituo por saudade. Saudade e só. Sorrio. O tempo se foi.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Faz mais de um ano que perdi o sentir. E muito mais que você me encontrou com o sentimento desmensurado. Hoje pensei que todo dia um amor renasce de algum que acaba no meu corpo (e nos outros). Entretanto, ainda dói olhar pro lado e não encontrar sua cara de sono me pedindo pra não dormir mais. A gente nunca sabe que dia será o nosso último e, devido a essa consciência que passa desapercebida na maioria dos nossos dias, brincávamos sempre de último dia da vida. Até que nosso último dia chegou. Logo depois de eu ter tirado, pra você, a minha barreira de proteção: você prometeu que me cobriria com a sua. Eu precisava de um colo e acreditei. Quando acordei, estava sozinha em meio ao oceano.
Hoje, meu barco passa pelo seu, mas nunca paro. Tem dias claros de céu azul que passo horas olhando pro mar e querendo fazer parte dele, virar peixe, talvez te esquecer. Então lembro do pavor que é o mar à noite. Sem outra opção, me vejo contando estrelas. E lembro das tantas noites que vimos virar dia assim. Não navego mais à sua deriva. Mas seu barco ainda é porto onde quero chegar.

domingo, 18 de maio de 2014

E até agora eu não sei se isso é uma carta de amor.

Você diz com propriedade que assim que eu comer o que você tá preparando pra mim, nem vou lembrar que dor existe. E até agora eu não sei se isso é uma carta de amor. E eu fico daqui pensando que eu não te conheço nada. Não me culpo, tenho uma antiga promessa comigo mesma de nunca conhecer ninguém por completo, deixar sempre algumas coisas pra descobrir com o passar dos anos. Acontece às vezes das descobertas serem sinônimo de decepção. Ou não. Deparar-me com a conclusão de que os desejos, fora os conjuntos, são os mesmo que os meus  é um puta tapa na minha hipocrisia diária. De luva. Jogada de mestre. Que eu nunca percebi, mesmo com a permanente mania de observar os detalhes meticulosamente. Podia me sentir trouxa, mas sinto-me leve, me esvazio da culpa. Achei que sempre estive prepara, mas não. Só com a prática se prova alguma coisa. Só com a prática os ódios e egoísmos são depurados. Só com a prática sentimos na pele. E até agora eu não sei se isso é uma carta de amor.
Outro dia, vasculhando entre meus pensamentos e histórias - que eu gosto de reviver mentalmente quando o mundo real tá real demais pra mim, que você gostava de perguntar o que eu tava pensando. E eu sempre respondia "pensamento é privado, pare de ser inconveniente", te deixando com cara amarrada até eu inventar qualquer coisa que n]ao parecesse idiota pra te contar - eu só tava tentando ganhar tempo pra não ter que te dizer que eu sempre tava pensando em você, na gente, ou em alguma música nova que você me mostrou uns dias antes. E hoje, enquanto a gente conversava sobre as coisas realizada que eram sonhos divididos na varanda, dissolvidos com cigarros, lembrei da falta que a sua falta faz. De como o agora seria diferente, caso seguíssemos o futuro que eu queria, mais uma vez você escolhe tudo e eu te odeio um pouco, já que quase nunca tem espaço pra mim no seu caminho. E te odeio um pouco mais quando percebo a confusão que minha vida longe dos seus olhos virou e de como você deixou ir embora, junto daqueles dias, as coisas que eu mais amava em você. E fico aqui, como quando entalada, pensando que na verdade eu nunca cheguei perto de sentir ódio. Tudo que eu tenho sobre você é amor. E a saudade. E o vazio do sorriso nos meus dias.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

não ter medo do medo. respiro fundo e vou em direção ao abismo. o caos é o meu infinito.
Ela disse que a cada nova semana se apaixona por uma novava pessoa. Com isso, cuidou do meu poliamor, dos meus desmaios, embriaguez e cabelos. Me preparou um chocolate quente, leu meus poemas bestas e tocou violão enquanto o sol nascia e eu cantava desafinada uma música que eu nem sei se existia. Ela me permitiu ser livre, veja só. Nesse mundo onde a maioria das pessoas praticamente algemam uns aos outros para que fiquem, ela abriu pra mim a porta da frente. Questão só fez de dizer que a mesma estava destrancada, pra mim e quem mais quisesse entrar. Não tive medo, porque ela me fez acreditar no amor que sente e me deixou segura pra não ser corroída pelo não saber ser só, caso o amor acabe, ele quase sempre acaba e nunca é o suficiente. Veja só, a liberdade estampada nos nossos sorrisos me faz querer voltar. A permissão pra viver apaixonada por tudo que me ronda, me faz querer compartilhar com ela o futuro.
Ela disse que a cada nova semana se apaixona por uma novava pessoa. Desde então me pergunto como não me apaixonar ainda mais por ela a cada dia. Nada me convence.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Vida, esta eterna disputa por território.

Poucas vezes conseguimos estar diante de nós mesmos durante a vida. Sempre nos forjamos, inventamos, criamos mil máscaras. Somos uma farsa pra nós mesmos a maior parte do tempo. Num desses momentos de lucidez pro que sou, com as janelas da percepção abertas, me dei conta de que inveja, ciúme e egoísmo nada mais são do que disputa por teritório. E que fazemos isso a vida inteira, sem nos dar conta. Repetindo comportamentos, ideias e ideais que não nos cabem e nem sabemos porquê. Agimos tal qual primatas cerceando o campo que nos pertence pra que ninguém invada, esquecendo que lugar ou ser nenhum pertence a nada nem ninguém. Mijaríamos um nos outros, se fosse preciso, pra que o pensamento, os atos e as vontades daqueles que achamos ser donos, nos pertençam de fato. Seria cômico, caso não fosse tragédia anunciada de frente pro espelho. Se não fosse o caos que estamos imergidos pelo tanto de pronomes possessivos que colocamos nas frases e histórias, contadas e vivenciadas. E, mediante o óbvio, de não ter ninguém, me sinto sem chão. Aí me dou conta de que não pertencer ninguém, incluir não pertencer à ninguém, e diante da possibilidade de liberdade me ofertada como moeda de troca pra deixar os outros irem e serem o que bem entenderem, estarem ao meu lado única e exclusivamente por vontade e deixar que eu vá apenas aonde o vento apontar o meu nariz sem me entupir de limites e castrações, aceito. Entendo, engulo o choro de criança que insiste em cair pelo medo da rejeição, pelo medo de estar só e me sinto leve por poder escolher, por ser escolha, por ter consciência de que perder tempo de vida delimitando território, é só perda de energia vital.

domingo, 27 de abril de 2014

Não é porque eu te amo

Não é porque eu te amo que vou sempre concordar com você. Ou que sempre vou te defender quando no meu julgamento você estiver errado, pelo contrário. Não é porque eu te amo que não vou querer estar com outras pessoas ou viver outras coisas que estão além da sua presença. Não é porque eu te amo que tudo que eu fizer vai ser pra te ver feliz, ou que minha vida vai sempre girar em torno do que for melhor pro nós e não pro eu. Não é porque eu te amo que eu não vou te dizer não, que eu vou me submeter às suas vontades e desejos. Não é porque eu te amo que eu não vou querer me embriagar de mundo, que eu não vou querer colocar uma mochila nas costas e seguir, com ou sem você. Não é porque eu te amo que eu não vou enxergar seus defeitos e apontá-los, que eu não vou berrar que não aceito, que eu não vou discutir até chegar a um consenso que seja bom pra todos os lados e não só pra você. Não é porque eu te amo que eu vou deixar de ceder, de ser flexível com você e com as outras pessoas, especialmente com as pessoas que você não gosta, o gostar é tão livre quanto o não gostar. Não é porque eu te amo que eu não te entenda, que eu não me coloque no seu lugar, que eu não me sinta como você se sente. Não é porque eu te amo que você tem acesso à tudo que é meu, à tudo que eu sou, à todos os meus dias e pensamentos. É exatamente por te amar, que respeito que somos independentes, livres e incoerentes. É pela liberdade de te amar do meu jeito, que eu te amo.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Fico na tentativa de fazer qualquer cisa que nos reviva, por um momento, dentro de você. Só que sem a parte da dor. Parece esforço pra você enquanto eu tenho andado por aí e visto tanta coisa que eu queria compartilhar com seus olhos, tanta coisa que você amaria e sorriríamos juntos, tantos sonhos pra dividirmos o travesseiro.
A gente sempre acha que vai morrer, sufocar, que não vai aguentar. O desespero bate e dá vontade de sair correndo, sem se mover. Respiro, inspiro, transpiro. Calma. Ninguém nunca morreu de amor.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Agora

Eu odeio quem deixa pra depois. Gente que não entende que tudo o que temos é aqui e agora, que o depois não existe, nunca chega. Que não percebe que pra morrer só basta estar vivo e daqui a pouco pode ser tarde demais. Que faz planos e se baseia neles sem aproveitar este minuto sabendo que ele nunca mais voltará.Quem não compreende que 24 horas é tempo demais e diante da possibilidade de conseguir mais um dia, se coloca numa posição de imortal. Quem briga por bobagem e perde tempo remoendo, sem notar que remoer não faz ninguém chegar a nenhum lugar e que temos pressa pra continuar, pra beber a vida enquanto ela nos permite respirar. Quem acha que querer perceber e saber de tudo que está em volta é coisa de gente ansiosa. Quem não compreende, entende, percebe, vê, vive e sente: a gente só tem este instante. E o segundo desta linha nunca mais vai voltar.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

É como se nunca tivéssemos deixado de estar ali. Com o lugar simples e a mágica nos olhos. Com a conversa lenta, o riso fácil, o ronronar costumeiro. Como seguir sem olhar pra trás e quando se dar conta, ter parado no mesmo lugar, lado a lado, mesmo que em vidas diferentes. Meu corpo não estranha o teu. Minhas células se aprumam às tuas e o jogo termina, ele nunca existiu, os dois estavam no mesmo time. É fácil gostar de você, gostar de ser amada por você, gostar dessa proteção e afago. É fácil saber onde se quero estar quando existe o teu corpo do lado do meu. O difícil é separar sonho e realidade. Uma madrugada do resto da vida. O difícil é dormir em paz, quando a paz do meu sono e da minha vida, tão na sua respiração.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Pensamentos etílicos

O foda é que a gente sempre acha que o outro não vai entender. E não entende mesmo. Nem o outro e nem a gente. Por que a vida não é sobre entender, justificar. A vida é sobre leveza e não sobre esforço. Então, parar de tentar entrar na mente de alguém, de entender, de se esforçar, deveria ser libertador. Liberdade, sabe porque a queremos tanto? Por não saber lidar com ela e por isso ela nunca nos é plena. No fundo ninguém entende. A gente só não quer ter que lidar, só não quer ter que entender.
"Depois é o lugar onde não se chega nunca".

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ponto de fuga

Você nunca entendeu nada. Nunca entendeu o caos aonde estava se enfiando. E nunca entendeu todos os adeus. Nunca presenciou nenhuma lágrima escorrendo quando eu virava as costas e revirava na cama lembrando da música que você tirou no violão porque eu tinha dito que eu gostava ou da comparação com o filme "como se fosse a primeira vez". Nunca entendeu que eu sempre faço as escolhas erradas e tendo a continuar neste círculo vicioso. E que às vezes eu só não quero escolher, nem pensar. Nunca entendeu o tamanho da importância. E do quanto é difícil que ela seja deixada de lado. Nunca entendeu que eu nunca te liguei querendo comer, pedalar, fumar, foi só o teu abraço que eu solicitei. Foi só do seu olhar de quem acha que entende tudo, mas no fim nunca entende nada, que eu preciso quando te ligo noite dessas, no meio do nada,com uma desculpa qualquer. Insistentemente querendo que pelo menos a nossa afinidade não saia da minha vida. Como eu sempre tiro tudo que me é válido.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre a morte e religião? Coisas independentes.
Vô, te amo, te cuido, te sinto e te presencio. Todos os dias.

domingo, 30 de março de 2014

SAWABONA



SAWABONA!!!

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.
Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.
Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".

Sawabona Shikoba!
SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:
"Então, eu existo pra você"




SAWABONA! SHIKOBA!
Uma vida de amor tende a ser uma vida de castrações. Ou amar não é isso?

sábado, 29 de março de 2014

Hj é um desses dias que mal consigo pensar, revoltada com o trabalho escravo, a fome, o estupro, a falta de moradia, de cidadania...queria morrer agora e encarnar numa pedra na beira de um rio lá em lumiar. pq me sinto tão impotente diante disso td qnt tal pedra.a diferença é que ela ta fazendo a função dela, tá parada na beira do rio. e a minha função além de me revoltar e mudar MINHAS atitudes kd?para o mundo, pra mim já deu

Vazio - folha em branco

Tem uma folha em branco dentro de mim. Ela me acompanha desde que nasci. Poderia ser uma dessas folhas normais, que a gente escreve histórias novas todos os dias. Não. Nesta não se escreve. Já tentei caneta, tinta, lágrima e sangue, nada entra nela, ela nunca absorve. Um dia eu subi numa pedra muito alta, tirei a folha de dentro do peito e joguei pro alto, pro vento levar pra bem longe. Foram alguns segundos de paz por me livrar daquele vazio todo, quando dei por mim, ela tinha se acoplado à mim de novo, como se em mim houvesse um encaixe perfeito pra dor da incapacidade. Cada época a chamo de uma coisa: vazio, dor da incapacidade, defesa impulsiva, taquicardia constante. Hoje de manhã eu acordei e ela olhou pra mim, achei estranho um pedaço de papel sair de dentro de mim e me olhar. De repente, ela começou a se auto-escrever, usando a minha letra de alfabetização "um único aviso: quanto mais você se conhece, menor eu fico. Quanto mais você procura fora de você o que cada parte do que você é, o que já possui, mais eu me fortaleço. Eu também quero voar com o o vento daquele dia das montanhas, liberte-me, liberte-se. Para isso, ouça-se. Caso consiga, vai perceber que, no final, eu nunca existi". Pulei da cama. Pode ter sido um sonho. Um pesadelo. Irreal, surreal. Sei que respiro mais aliviada, pensando na história que vou escrever quando eu conseguir libertar nós duas.

terça-feira, 25 de março de 2014

meu

Toda vez que ando de van na chuva, lembro da primeira compra do mês que fizemos juntos e, pelo vidro embaçado, vi errado e nos fiz descer um ponto antes cheio de sacolas de compra de baixo de um temporal. Chego em casa e subindo pro meu quarto, parece que você ainda tá ali escrevendo as iniciais dos nossos nomes dentro de um coração no vidro embaçado. Por falar em chuva, sempre que entro no quarto com o barulho dos pingos caindo lembro de quando você ia comprar comida pra gente, de noitão, na chuva. Bicicleta na chuva já me lembra de quando eu inventei de te levar um lanche surpresa na sua casa quando chovia tanto que a cidade inundou, levei um tombo e quebrei meu celular. Daí você foi me buscar, me abraçou forte e daquele seu jeito que só de me olhar, me acalma, me levou pra debaixo do chuveiro e tomamos banho, você beijando meus machucados e dizendo que eu não precisava me desculpar por ter te preocupado desse jeito e me machucado toda. Lembro da gente não conseguir tomar banho sozinhos, isso só acontecia em dias de brigas ou de frios tão extremos que eu nem conseguia em pensar em dividir o chuveiro. E dos nossos almoços vendo seriado e morrendo de rir sem vontade que o horário de almoço acabasse. Ta chovendo lá fora. E eu sempre penso que, como na música do Marcelo Camelo, ela quer é trazer você pra mim.
Não sei aonde, com quem ou fazendo o que você está agora. Tem mil coisas que eu queria te dizer. E outros tantos abraços que eu queria te dar. Mas isso não importa. Só o que eu espero e desejo é que no fundo de tudo isso você ainda sinta tanto quanto eu. Que eu ainda caiba em você e na sua vida. Que na eternidade existente, tenha algum espaço pra nós.

domingo, 23 de março de 2014

E é sempre assim, quando meço meu vazio, são só as suas medidas que lhe cabem preenchê-lo.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Do outro lado do muro

Aqui do outro lado do muro eu criei um mundo. Não chego muito perto do muro, não sei de que material ele é feito, não sei sobre sua resistência, você quem o criou, bem assim: acordei um dia de manhã e ele estava lá. Não estava tudo bem na noite anterior, mas eu também não achei que fosse pra tanto.
Aqui do outro lado do seu mundo, eu destruí muros, eu venho construindo escadas que ainda não sei muito bem aonde vão dar, mas todo dia pego minha pá de pedreiro, um pouco de cimento e construo um novo degrau. Uns ficam tortos, em alguns coloco pétalas de girassóis, outros eu usei lágrimas ao invés de água misturada no cimento. Chove forte aqui desse lado de cá e eu fiquei alguns bons meses sem sair de casa com medo da chuva, depois usava capa, galocha e guarda-chuva, hoje eu saio com o nariz apontado pro céu recebendo toda água, acabei descobrindo que ela lava minh'alma. É difícil não ter a quem recorrer quando algo do mundo se quebra, quando uma parte de mim se quebra, quando eu acabo quebrando alguém, fico perdida sem sua mão grande e gorda pra me guiar, ou só pra ficar horas me dando bronca pelo que já aconteceu e não adianta mais.
Um dia desses quebrei meu cofrinho e comprei uma escada, dessas que se usam em obras, quis colocar encostada no muro pra ver se do meu mundo eu enxergo o seu. Mas, como se houvesse uma parede energética bloqueadora, não consegui sequer me aproximar do muro, não consegui subir sequer um degrau, não consegui te ver. Depois desse episódio foi uma longa semana onde a chuva forte se confundia com o tanto de lágrimas que escorriam não só pelos meus olhos, mas por cada palavra que saía da minha boca, por cada gesto, por cada passo, todo meu corpo se mostrava complacente com o seu bloqueio.
Tem dias que eu acho que vou desmoronar. Mais noites do que dias, admito. Tem vezes que eu acho que não vou dar conta, mas lembro que ninguém nunca dá. Lembro das nossas longas conversas enquanto você dirigia pros lugares que eu ansiava pra conhecer, de você cobrar um beijo e um abraço todos os dias antes de dormir, das suas ligações pra saber aonde, com quem e por que eu estava. Lembro dos seus bilhetes deixados na embalagem de cada presente e que acabou se perdendo por aí. E da sua voz. Sobretudo da sua voz. Luto contra o tempo e contra a minha péssima memória pra não esquecê-la. No meu mundo a sua voz só diz que sou seu maior orgulho, que você me ama e que nunca vai se chatear comigo. Eu acredito. Aprendi a acreditar em mentiras, inclusive nas que eu conto. Daqui desse lado do muro, eu sento e espero todos os dias nem que seja por 10 minutos, tem todo o amor que você merece te esperando pra receber.

"Pode ser que daqui a algum tempo, haja tempo pra gente ser mais".

segunda-feira, 10 de março de 2014

Questione

Sempre pequei pelo excesso. Sorte que hoje não acredito mais nessa idiotice de pecado. Minha mãe costumava falar que eu dava nó nos miolos dela de tanto falar, meus amigos brigavam comigo de tantas perguntas que eu fazia em pouco tempo, pra eles ou durante a aula, até hoje interrompo histórias que me são contadas pra questionar. Nunca me incomodei com isso, até a propaganda da tv Futura me dá razão. Vez ou outra alguém fala, respira e fala devagar, e eu conto até três mentalmente entre uma palavra e outra. Em uma ocasião, o namorado de uma amiga soltou "se cadastra no programa do Faustão pra ler a bíblia no se vira nos 30". Reparei outro dia que minha família é toda assim. Lá em casa a gente se quase se estapeia pra falar, lá em casa a gente não tem pudor nenhum, tampouco papas na língua. Todo assunto pensado é discutido, desde sexo/sexualidade até o placar do jogo e a legalização ou não das drogas no Brasil. Eu transbordo pelo excesso que capto, que me cabe. Eu quero beber o mundo porque aprendi que amanhã sempre é tarde, que "se" sempre chega atrasado, que o agora é a única coisa que temos. Então, não aceito travas, não aceito dedos apontados, não aceito que me tirem uma das coisas que eu mais gosto em mim: o meu excesso. Que todas as respostas do mundo estejam prontas, pois estou à caminho com as minhas trocentas perguntas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014



"Algumas vezes chutam minhas pernas, quebram minha cara, pisam nos meus dedos.eu sobrevivo. Tenho sobrevivido. sou marcada sim, mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes"




(Nome Próprio)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Talvez

Chocolates, fumos e músicas já não são o suficiente. Nada me basta, há uma sobra constante em tudo que me falta. O nó da minha garganta se tornou quem sou, eu sou o nó, a complicação, eu sou os pensamentos complicados e os dias turvos em pleno céu azul, em pleno céu estrelado que habita o céu da minha boca.
Você não merece o que eu sinto por você, nem eu. Tudo que dói, tudo que contradiz, tudo que foge da liberdade de poder ir e vir sem dor, sem desespero, sem querer abrir o zíper nas costas e sair de mim, não me cabe. E eu continuo querendo ter as suas medidas. Dói. E eu choro. Dessa vez não grito mais, não soco paredes, não ando de um lado pro outro, só deito na rede e vejo mais um cigarro se desfazendo, só choro baixinho me perguntando porque entre tantas perguntas que existem no mundo a única que não me vem resposta é a que eu mais preciso, a que eu mais desejo. Talvez as minhas lágrimas te encontrem e te digam o que não consigo. Talvez seja só mais uma noite em que dou voltas em volta de mim mesma e não chego a lugar nenhum. Talvez me assusta. Você me assusta. Talvez.

Sobre o amor e a tecla play

O amor ultrapassa a pele, rabisca a alma, tira a mente do eixo. Acalenta o espírito, muda a temperatura dos rins, dá borboleta no estômago, e asas pros pés. Nisso tudo quase esquecemos o primordial do que deve ser amor: liberdade. Sem ser livre pra ser, pensar, agir e querer. Sem transbordar desejos, sensações, frustrações, sem poder ser quem é, o amor não funciona. Como um toca fitas com defeito na tecla play.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Quando eu me declaro agnóstica

Quando eu me declaro agnóstica, eu me dou o direito de ser livre. De acreditar ou não. De formular um deus pra mim ou desacreditar de superioridades. Eu me permito conceber energias, vidas e poderes superiores aos meus ou crer que sou a única raça que existe e que esta é minha única vida. Quando eu me declaro agnóstica, eu me desfaço da moral cristã imposta à mim desde que nasci, eu tiro todos os dedos que me apontam e sigo pra onde meus pés acham correto ir. Minha moral é constituída com base na minha consciência de que sou tão ser humano quanto meu próximo, de que sou tão vida quanto uma árvore, de que sou tão frágil quanto uma pétala de dente de tigre. Quando eu me declaro agnóstica, assumo minha pequenez mediante o mundo, aceito assim que minha opinião é apenas a minha opinião, que a minha verdade é apenas a minha interpretação, única e exclusiva, da realidade, então eu respeito o direito de cada um crer, ser e viver o que bem entender, da maneira que lhe for entendido -sem dedos apontados pra mim, não tenho porquê apontar os meus -. Quando eu me declaro agnóstica, me livro do peso do"ter que", tudo passa a ser escolha, tudo passa a ser leve, nada pesa, a culpa se desfaz como gelo no chão quente, eu me renovo pro mundo. E, acima de tudo, quando me declaro agnóstica, me torno deus de mim mesma, dona de mim e a única responsabilidade que tenho é a de ser leal ao meu coração, ao meu sentir. Quando eu me declaro agnóstica me torno grata, uma gratidão sem tamanho, por todas as vidas, por todos os encontros e desencontros, por todos os erros e acertos, por todos os tropeços e por todos os acasos, sortes, poréns que me trouxeram aqui e que me levam além. Acredito no infinito sem nenhuma limitação, apenas porque me é de direito. Quando eu me declaro agnóstica, eu me dou o direito de ser livre.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Fui atropelada pela saudade. No hospital me disseram que você estava em falta. To aqui na uti pensando quanto tempo um corpo mutilado aguenta de sobrevida até se decompor.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A falta que faz

Eu lembro da vez, bem no comecinho, que você chegou de viagem e veio direto pra cá com pão, queijo, presunto, suco e bolo pra gente tomar café da manhã e a gente estendeu uma toalha de mesa no chão e ficou brincando de piquenique. E aquele outro dia, também que você tinha chegado de viagem, com uma foto sua de quando era criança, dizendo que queria que eu soubesse e fizesse parte de todos os momentos da sua vida. E de quando a gente teve nossa primeira briga séria - que você esqueceu durante o dia enquanto eu me sentia culpada - e quando chegou aqui tinha um jantar à luz de velas te esperando. E daquela vez que você chegou aqui debaixo de um temporal e eu te dei bronca por não ter trazido chocolate pra mim - nossa primeira tpm juntos- e você teve toda calma me abraçando. E daquela outra vez que eu passei mal, tive apagão e você me viu tremer de medo, me trouxe pra casa, me fez massagem e disse que tudo bem se eu nunca visse filme de terror com você na vida: você faria qualquer coisa pra nunca mais me ver daquele jeito. E teve aquele dia, que a gente já namorava, e você, depois de terminar de compôr uma das centenas de músicas que fez pra mim nesse tempo, deitou em cima de mim e me perguntou se eu tinha noção da importância que eu tinha pra você. E do dia que você me disse que eu era a melhor amiga que você já teve na vida e eu disse que você além de melhor amigo, você era o meu melhor amor. Outro dia eu tava arrumando meus livros e achei umas cartas que te escrevi e você esqueceu aqui, sei lá se de propósito, só consegui ler as primeiras linhas, dobrei de volta e guardei bem longe, num livro que nem lembro até saber o que fazer com tudo aquilo escrito ali, com todos os sonhos expostos daquela maneira tão cheia de concretude e que eu não sei mais aonde enfiar. E por mais que eu tenha apagado todas as nossas fotos, você cantando a nossa música e tudo que me faz me lembrar de você do meu celular, vez ou outra eu acordo cantarolando "se você nunca vai prestar, eu também nunca vou prestar", e me vejo ainda me forçando a ir nos lugares que eu não gosto, não porque eu não goste, mas porque em nenhum lugar que eu vá tem nós dois. Nenhum lugar que eu vá tem o seu cheiro, os seus dedos, a sua mania irritante de querer tudo sempre no seu tempo e do seu jeito. E eu choro por saber que nosso tempo passou e que talvez ele nunca mais volte. E choro ainda mais por não querer me desvencilhar de você - você é minha única referência de norte - sabendo que as suas palavras e os meus atos, tudo que nos trouxe até aqui, nos separa sem nenhuma piedade.
Essa noite eu vou dormir de novo sentindo saudade de quando você me dava as costas pedindo pra eu deitar nelas e te abraçar- nossa conchinha inversa -, me dizendo que esse era o momento da sua vida em que você se sentia mais confortável e protegido. E vou chorar baixinho, até o sonho chegar, torcendo pra não sonhar com você, pra essa dor passar logo. E pra eu aprender a viver sem te procurar em todos os cantos quando sinto que o mundo vai desmoronar.