segunda-feira, 20 de junho de 2011

A última oração

Fico aqui refazendo todos os passos que demos nas últimas semanas. Incrível como deixamos pegadas indo na mesma direção. Assustador como nossas mão entrelaçadas combinaram com os planos que eu tenho pra mim. Incrível e assustador, definiria assim o que seu cheiro me faz sentir. E talvez assim eu explique a vontade que eu tenho de sair correndo de dentro de mim a cada vez que olho pro meu coração e me confirmo que ele acelera por você. Eu tenho tanto medo de que tudo isso dê certo, eu tenho tanto medo dos beijos que eu te dou quando na verdade eu queria ir embora.

Talvez agora, nossos passos atrás sejam maiores que nossas afinidades e toda vez que eu penso nisso, eu tenho vontade de gritar. Gritar que eu também estou morrendo de medo, que você me dá vontade de ser a melhor pessoa do mundo e só por isso eu tenho vontade de quebrar o seu dente da frente porque quem sabe sem ele eu pare de te achar o cara mais lindo que eu já vi. Gritar que o tempo ta passando, que daqui a pouco você vira a esquina e eu sigo caminho reto e a gente não vai mais ter tempo e que isso é mais que motivo pra agarrarmos esses minutos juntos pelo colarinho e fazer com que eles sejam eternos. Que eu tomava tranqüilizante pra dormir na minha cama quente e hoje eu durmo bem até na sua rede torta na varanda fria, você devolveu meu sono, minha paz, você arrancou das minhas entranhas a ansiedade, me deu tanto carinho que eu parei de tentar encher meu vazio com comida. E continuar gritando cada vez mais alto que eu tento desistir de você, mas aí você dança só com os ombros, ou inventa uma palavra, ou conta uma história de lunático, ou inventa uma nova teoria sobre meus assuntos inesperados e eu sorrio no meio de uma gargalhada me dando conta que do seu lado eu não consigo mais parar de rir. E como ouvi de uma autora adorável, se esse não é o motivo pra gente nascer, eu não sei qual é. Se sentir essa dor na costela de tanto gargalhar, se sorrir que nem boba no meio de uma aula de psicologia do trabalho, se acordar no meio da noite pra responder uma sms, abrir os olhos no meio da madrugada pra me ver dormir, dormir abraçado bem forte quase se esmagando, sentir essa felicidade exalando na garganta e nos olhos não é o motivo pra gente tá aqui, pra nascer, renascer e querer continuar, eu juro que não sei nada dessa vida. E nem quero saber.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A última oração

Vem como dor o que antes só trazia paz. Não se culpe, culpa é feio e pesado e a responsabilidade dessa vez eu posso assumir. Sem motivos, desencargos, sem nostalgia. Quando o meio vira amor, eu me viro, volto pra trás como o reflexo do tempo surgindo nas artérias que bombeiam o coração. Digo adeus sem nunca ter dito olá. Nunca precisei de cumprimentos até então. Invadimos um a vida do outro e embora não haja tempo, espaço, embora a brevidade tenha se feito, digo que a eternidade perdurou e vai perdurar em cada sorriso que você arrancou de mim, em cada sementinha de felicidade que você plantou no meu coração que já era pedra e que você acelerou a cada vez que chegou perto de mim ou que tocou meu corpo com a suavidade que só as pontas dos seus dedos possuem. Desespero-me por não saber ficar, por não poder ouvir, por ter que ir. Vou-me. É certo que deu certo. Tudo entra nós funcionou bem e pra mim, se a intenção era dar certo, não tenho dúvida de que foi cumprida. Deu certo nosso beijo, nosso abraço, nosso corpo misturado, nossas piadas e as viagens que tivemos sóbrios ao amanhecer. Deu certo cada noite na rede, cada noite abraçados em baixo do edredon vestindo sua camisa xadrez de botão, deu certo as borboletas que você criou no meu estômago e a descontração que você me relembrou que a vida pode ter. A gente já discutiu sobre o amor algumas vezes e acho que eu nenhuma delas eu fui capaz de dizer que talvez o que eu sinta em tão pouco tempo, essa formigação na minha alma ao ouvir seu nome, seja amor. Discordo que o amor tem que ter tempo, antecedente e se fazer presente, eu amei você. Amei cada dia que se pôs com as nossas mãos entrelaçadas e cada dia que amanheceu com a nossa cara amassada. Entretanto você me convencer que o amor não precisa ser transformado, ele pode sumir, da mesma maneira que os pensamentos, os sentimentos podem seguir caminho sem que saibamos onde eles se enfiaram. E é isso que espero que se torne esse sentimento emergente que mal chegou e já se vai. Espero que se torne o pra sempre que sempre vai ser cada sorrio meu que você beijou. Espero que entenda que pra falar de amor eu tenha que falar de adeus. E que eu não tenha dado chance de você dizer qualquer coisa, porque chance é se tornar vulnerável. E de vulnerabilidade, eu e você, o meu cérebro já está cheio.

Eu decidi que seria o fim.
Apaguei suas mensagens no celular e nas redes sociais que ainda havia resquício seu.
Lavei minhas roupas que cheiravam o seu perfume devido ao nosso abraço
Exorcizei o quarto que outrora era palco do nosso amor
Rasguei aquele bilhete no papel de pão e os ingressos da nossa primeira sessão de cinema
Deletei seu telefone, sua voz, sua risada
Substituí nossos planos por cachaça de canela do bar da esquina
Olhei outros olhos, beijei outras bocas.
Eu decidi que seria o fim.
Uma pena o meu coração não ter decidido o mesmo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um pouco de dor, de negro cinza para combinar com a minha alma hoje, pra calhar com a minha calma perdida em olhos estranhos indo por outra direção. Relacionar-se é estar vulnerável. É assim sempre, pra todo mundo? A dor me toma, me chega e me assola. Transporto-me pro mundo de antes. Mas digo então que o mundo de antes me fazia plena, entretanto, não sinto falta de quem eu era outrora. Sinto falta do sentir de antes, sinto falta dos beijos preenchidos com a paz que eu exalava. Quero o agora com o sentir de antes. E sei que querendo-o, quero junto a dor. Como se o preço que se pague pelo amor, fosse a dor. Minha alma negra cinza chora. De saudade, de vontade, de irresponsabilidade, de querer tanto e no final, sempre acabar sem nada.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Por quê sofres, anjo? Por quê no teu olhar impera a tristeza onde outrora só havia alegria. Porque você não me sorri daquele jeito de novo e faz a minha dor sumir. Levanta, meu anjo! Agarra essa vida correndo lá fora, pegue-a pelo braço e conduza-a para o que tem de ser, bem meu. Não chora anjo, não faz assim, não enche seu peito de lágrimas logo agora que eu to aqui, pronta pra te seguir caminho. Anjo, anjo, meu anjo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Borboletas

Te propus que a gente se conhecesse antes de sentir, você me disse que não dá pra ser assim, pensamento é sentido e não falado. Na verdade você tinha medo, me disse isso semanas depois na fila do caixa do supermercado, medo de que? Medo de eu desistir de você quando descobrisse o que há por trás do seu sorriso. Eu disse que isso nunca ia acontecer, que o que tínhamos já era grande demais pra pensamentos. Você ta se contradizendo, você riu. Eu sei, eu sempre me contradigo, principalmente quando digo de você. Você achou fofo, apertou minha bochecha e sorriu o meu beijo. Acho lindo a forma como você sempre sorri o meu beijo, principalmente pela manhã, com a cara amassada de sono, fome e excesso de sexo. Ou de amor. É, você me disse outra noite que o que a gente faz é amor. Eu discordei, a gente não se ama nem nada pra fazer amor. Se a gente não se ama, porque meu coração acelera quando te vejo, porque eu perco o chão quando penso em te perder, porque eu sorrio que nem bobo quando você me beija? Taí, me deixou sem resposta! Taí, pára de achar que a vida sempre tem uma resposta. Pára de tentar me encher com suas filosofias. A gente sorriu de novo, gargalhou na verdade, você por ser um bobo de marca maior, eu, por você ser um coscador de marca maior, e confesso que parte da minha gargalhada era pelas cócegas e parte pela palavra que você invento.
Você me incha por dentro. Acho que isso define tudo que eu sinto quando você toca em mim. Mas não me incho só de prazer, como parece agora com o que escrevi, me incho de um sentimento absurdo que não sei definir. Se é amor, não sei. Não sei o que é. Só sei que meu estômago enche de borboletar esperando você chegar. Aí você olha no meu olho como quem vai dizer algo sério e me lembra que eu disse que era contra matar os animais injustamente. O que isso tem a ver? Eu pergunto. Pra quê você quer matar as pobres borboletas que criaram a casa no seu estômago, você devia é ampará-las. Eu disse que a gente precisava se conhecer melhor, sem medo. Você me prometeu que já conhecia de mim tudo que precisava pra que eu fosse a mulher da sua vida, só da sua vida.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A última oração

Surpreendendo-me como sempre, dessa vez com a frase fofa que não combina com seus trajes de vida boemia. Surpreendendo minha vida e me mostrando como toda nuvem negra some a cada instante que passo diante dos seus olhos. Diz-me que sem mim as noites são frias. Digo-te, que sem ti a vida é fria. E me passo por adolescente piegas indo ainda mais longe: sem você, além de faltar a temperatura pra um corpo sobreviver, falta-me cor, falta-me brilho, falta-me paz. As noites sem você são longas, longe do seu abraço tudo que não me faz bem demora a correr, como se o tempo, decidindo correr contra nós, estabelecesse que pra uma coisa ser inesquecivelmente boa, tem de ser breve. Deve ser por isso que, embora tenhamos as afinidades de uma eternidade, temos o tempo acelerado nas veias quando nossas bocas se encontram e nossos corpos se unem.
Hoje, quando pensei no que teria a dizer de você, jurei me arrepender por ter ido adiante, por ter deixado que o sol nascesse do seu lado tantas vezes mais além daquela que eu decretei como única manhã. Obrigada por desanuviar minha mente mais uma vez, por surpreender-me, por deixar que as manhãs cheguem iluminando nossos olhos e esquentando nossos corpos adormecidos na rede da varanda. Obrigada por ter esfriado as minhas noites sozinha, por ter congelado a minha vida sem você, por ter aquecido como nunca o meu coração.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A última oração

Não reparei se você tem tem pêlos na barriga.
E não foi por descaso ou por não te achar interessante o suficiente. Essa é uma das primeiras coisas que reparo num homem, eu sei, mas geralmente reparo quando tenho alguma pretensão com esse mesmo e com você foi assim, tudo errado, tudo ao contrário, tudo sem eu perceber. Depois que isso me veio a mente fiquei alguns minutos pensando se você tinha ou não. Mas veja como é ainda mais estranho, ao invés de me concentrar na sua barriga, nos pêlos dela, eu ficava as voltas com o seu sorriso bobo, com os seus dedos no meu cabelo enquanto eu esperava o sono chegar. Lembrava dos pêlos e na hora que ia conferí-los mentalmente, me perdia nas suas camisas xadrez, nas suas histórias de surfe, nas suas músicas cantadas no meu ouvido, na suas implicâncias. Lembrava dos seus olhinhos apertados na hora de acordar e da carinha de mau humor pela claridade da janela. Das nossas conversas, das nossas loucuras, do sono na rede, de dormir abraçados.
Acho que justamente por termos começado pelo fim, termos feito tudo ao contrário é que o sentimento que você alimenta em mim, é verdadeiramente um sentimento e não um pré-requisito pra entrar na minha vida.