sexta-feira, 2 de março de 2012

Você tem sede de quê?

Eu tenho sede de algo que me mova, agora, por favor, me tire da inércia. Se me dissessem que algo curaria isso, eu beberia todas as fontes do mundo, eu comeria toda a dor que sobra, transpiraria razão, evaporaria. Eu tenho vontade de sacudir todas as pessoas que vejo na frente e de jogar longe todas as coisas do meu caminho pra que assim eu tenha no que pensar por cinco minutos que não nesse turbilhão que me invade. Estou farta de tanta desemoção, estou farta de sempre confundir o sentir de acharem que sempre preciso dar conta. Estou farta de tanta ilusão e é só o que encontro no mundo, nas pessoas que olho, nos novos rostos que conheço: somos todos uns iludidos que não sabemos nem quem somos e queremos julgar o mundo inteiro.
Tenho tido tanta repulsa de gente, que até de você tenho nojo. Faço tudo no automático, calculando friamente, como nos velhos tempos: nenhuma emoção me envolve. Se consigo ouvir sua voz sem querer morrer, se consigo enfrentar o mundo lá fora apesar de tudo que me puxa pra trás, é porque todo amor que vem do meu nome se esvai pelos meus dedos pouco a pouco. Eu não quero morrer, mas não quero viver. Eu não quero nada. Não quero nem que a dor passe, estou me habituando a ela. Quero apenas me entupir de bebidas, comidas, cheiros, sabores e lágrimas, de qualquer coisa que apenas por um instante me faça esquecer do monstro dentro de mim que sempre me traz ao mesmo lugar: o parar de sentir.

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