domingo, 26 de fevereiro de 2012

Deus.

Quem me conhece pelo menos um pouco sabe o quão controladora eu sou. Não da forma de menininha que quer controlar cada passo do namorado ou que a melhor amiga fale apenas com ela, mas no sentido de querer saber todos os porquês, todos os motivos, todos os detalhes, todas as consequências, todas as escolhas, todos os caminhos. E acho que justamente por isso, tinha um pouco de dificuldade de acreditar em Deus, pelo menos da forma como me ensinaram:alguém soberano que decide a minha vida. Não, minha mãe e minha religião nunca me ensinaram a acreditar em Deus como um homem de barba grande que fica sentado no trono avaliando cada passo de cada pessoa e fazendo com que ela sofra por seus erros, na minha infância, Ele sempre foi como um senhor bonzinho que me dava colo nas noites que eu passava rezando pra tudo dar certo. Aí eu cresci e parei de acreditar em pessoas boazinhas, em casa nas nuvens, em acaso e destino e tudo foi se perdendo. Deus foi se perdendo a cada nova teoria que formava, a cada nova informação que eu recebia. Até um tempo atrás, quando eu decidi que Ele é energia vital, que não é um ser que eu não sei explicar, mas o que está dentro de cada um, de cada coisa, de cada lugar e, de alguma forma, essa teoria me contentava, conformava o meu controle, a minha mania de sabe tudo.
Até essa semana. Se Deus é mesmo energia vital, se é amor, se criou a lei de causa e efeito, porque tanta coisa dando errado ao mesmo tempo, porque nos deixou criar a dor, o erro, a dúvida, o rancor? Foi então que vi, que isso são erros nossos, que o verdadeiro amor liberta o ser amado e que é isso que Deus faz conosco todos os dias: nos deixa livres pra escrever a própria história.
Mas o que é Deus, afinal? Essa noite eu descobri que Deus é o que nos faz passar na avenida cinco minutos depois de um acidente fatal ter acontecido fazendo com que não nos envolvamos nele, Deus é quem deixa as pessoas livre ao ponto de tirar a vida de seus semelhantes e de fazer com que os envolvidos sintam o que quiserem de acordo com o melhor que buscam pra si, Deus é o amor que eu sinto por cada amigo, é a lágrima que cai do meu olho a cada emoção, é o alívio do perdão que sinto no peito quando resolvo esquecer uma diferença. Deus é a paz do vento no rosto, das árvores na montanha, das águas se desfazendo em ondas nos mares e se adocicando nos rios. Deus é o ar que entra e sai dos meus pulmões e continua sendo ainda, aquele que me dá colo nas noites que ainda passo rezando pra ele, feito quando eu tinha 8 anos e não sabia nada da vida. Deus é liberdade. E se eu não sei nem explicar o que é ser livre, o que é amar, vou saber explicar o que é Deus?!

2 comentários:

  1. Falou e disse! :)

    -Mariana

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  2. Claudinha Aguiar26/02/2012 14:13

    Acho muito engraçado como, por tantas vezes, você consegue traduzar as coisas que penso de uma forma que nunca consigo pôr pra fora.... E, mesmo com a enorme distância entre nós, é impossível não me ver nos seus textos...

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